A NBA voltou a acender o sinal de alerta contra o chamado “tanking”, prática em que equipes passam a perder de forma deliberada, sobretudo na reta final da temporada regular, para melhorar sua posição no Draft. O tema ganhou força no fim de semana do All-Star Game, quando o comissário Adam Silver se reuniu com os gerentes gerais das 30 franquias para discutir possíveis mudanças nas regras.
A lógica do tanking é simples: quanto pior a campanha, maiores as chances de conseguir uma das primeiras escolhas do Draft, mecanismo criado para equilibrar a distribuição de talentos na liga. O problema, segundo a própria NBA, é que a estratégia tem se tornado mais frequente e explícita, afetando a competitividade e a credibilidade da competição.
Silver classificou o cenário como de “níveis preocupantes” e deixou claro que a liga não quer passar a mensagem de que perder pode ser um caminho aceitável para o sucesso esportivo.
Propostas na mesa
Entre as sugerões debatidas com os executivos, várias mexem diretamente na estrutura do Draft e na loteria que define a ordem das primeiras escolhas.
Uma das ideias é limitar proteções de escolhas de primeira rodada em trocas entre franquias. Outra proposta impediria que um time tivesse uma das quatro primeiras escolhas do Draft no ano seguinte a uma presença em final de conferência, o que evitaria quedas bruscas e estratégicas após campanhas bem-sucedidas.
Também foram discutidas regras para impedir que equipes tenham uma das quatro primeiras escolhas em anos consecutivos ou que se beneficiem do topo do Draft após acumularem três campanhas entre as piores da liga em um período de três temporadas.
Há ainda propostas mais estruturais, como calcular as probabilidades da loteria com base nos dois últimos anos, e não apenas na temporada imediatamente anterior. Outra alternativa seria estender a loteria até times que disputam o play-in ou até mesmo nivelar as chances de todos os participantes da loteria.
Mudanças anteriores não foram suficientes
Não é a primeira vez que a NBA tenta conter o problema. Em 2019, a liga alterou as probabilidades da loteria, tornando mais equilibradas as chances das equipes com piores campanhas conquistarem a primeira escolha geral. A medida reduziu a vantagem estatística dos dois ou três últimos colocados, mas não eliminou completamente o incentivo ao tanking.
A reunião durante o All-Star Weekend teve caráter consultivo. A liga buscou ouvir os gerentes gerais para entender quais mudanças seriam, de fato, eficazes para manter as equipes competitivas até o fim da temporada, independentemente da posição na tabela.
Qualquer alteração para o Draft de 2026 precisa ser aprovada pelo conselho de diretores da liga, formado pelos proprietários das franquias e seus representantes. A próxima reunião está prevista para março.
Multas e ameaça de punições esportivas
A preocupação não é apenas teórica. No último mês, Utah Jazz e Indiana Pacers foram multados financeiramente por condutas que, segundo a liga, indicaram tentativa clara de perder jogos de forma estratégica, como a preservação de principais jogadores em partidas consideradas “ganháveis”.
Executivos da liga indicaram que, se o comportamento persistir, as punições podem ir além de multas e incluir perda de escolhas no Draft. A mensagem é direta: a NBA quer preservar a integridade competitiva e evitar que a corrida por talentos transforme derrotas em estratégia institucionalizada.
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Fonte : CNN