O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez neste sábado (21), em Bogotá, um discurso marcado por críticas ao cenário global de conflitos e pela defesa da cooperação entre América Latina e África.
A fala ocorreu durante o Fórum de Alto Nível CELAC-África, que reúne líderes das duas regiões em meio a um contexto de maior fragmentação geopolítica.
Durante o discurso, Lula, sem citar nomes, disse que o mundo está vivendo a maior concentração de conflitos desde a Segunda Guerra Mundial e afirmou que não há justificativa para invasões entre países.
“Não há, nem na Carta da ONU nem na Bíblia, nada que diga que um presidente pode organizar a invasão de um país a outro”, disse.
“Estou extremamente preocupado com o que está acontecendo no mundo de hoje”, afirmou.
Lula defendeu ainda o fortalecimento da cooperação entre América Latina e África, destacando os pontos em comum entre as duas regiões, como a presença das maiores florestas tropicais do mundo — a Amazônia e a floresta do Congo — e desafios compartilhados nas áreas de desenvolvimento e combate à pobreza.
O presidente também citou a existência de uma “dívida histórica” com o continente africano em função de mais de 350 anos de escravidão e afirmou que políticas como a lei de cotas no Brasil são importantes, mas insuficientes para reparar esse passado.
Na área econômica, Lula destacou o potencial das regiões na produção de energia limpa e na exploração de minerais críticos, considerados estratégicos para a transição energética. Segundo ele, é necessário evitar práticas “neoextrativistas” e garantir que os países agreguem valor aos próprios recursos.
O presidente também mencionou a existência de iniciativas de cooperação entre África e América Latina, incluindo projetos que envolvem o uso de inteligência artificial brasileira. Segundo ele, essas parcerias podem contribuir para reduzir desigualdades e ampliar o acesso à tecnologia.
Lula defendeu ainda o uso da tecnologia em áreas como agricultura, educação e saúde, além da necessidade de ampliar a infraestrutura digital nos países em desenvolvimento.
Durante o discurso, o presidente mencionou a aliança global contra a fome e a pobreza, lançada pelo Brasil no G20, que já conta com a adesão de mais de 100 países.
Ao tratar de temas sociais, Lula também falou sobre a necessidade de regulação das redes sociais e citou o estatuto digital da criança e do adolescente aprovado no Brasil como uma iniciativa para ampliar a proteção no ambiente virtual.
A fala reforça a estratégia do governo brasileiro de ampliar a atuação internacional e fortalecer a articulação entre países do chamado Sul Global, com foco na cooperação econômica, tecnológica e política entre as regiões.
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Fonte : CNN