A Motiva apresentou um lucro líquido ajustado de R$ 606 milhões no quarto trimestre de 2025, resultado que representa uma alta de 68% em comparação com o mesmo período de 2024.
O desempenho superou as expectativas do mercado, mas ainda dentro do cenário que analistas acompanhavam. A empresa também registrou uma expansão de 5% na receita e um crescimento de 25% no Ebitda, com uma expansão de 9,2 pontos percentuais na margem.
Flávia Godoy, diretora de Relações com Investidores da Motiva, destacou que 2025 foi marcado por transformações importantes na estratégia da companhia.
“Foi um ano que a Motiva conseguiu avançar nos seus quatro pilares estratégicos de atuação, de geração de valor, crescimento rentável seletivo, balanço robusto e liderança em sustentabilidade”, afirmou.
Simplificação de portfólio e novas aquisições
Entre as principais ações estratégicas realizadas pela empresa em 2025, Godoy destacou a simplificação do portfólio com a resolução de “dois ativos problemáticos mais desafiadores”, como as barcas, além da otimização contratual da MSVia, agora denominada Motiva Pantanal. Paralelamente, a empresa adicionou ativos considerados premium ao portfólio, que já estão gerando caixa relevante para a companhia.
A empresa também comemorou a antecipação em um ano da meta de eficiência operacional. O indicador OPEX Caixa sobre Receita Líquida, que estava previsto para atingir 38% apenas no final de 2026, foi alcançado em 2025 com 37,5%. Outro destaque foi o recorde de investimentos, com R$ 8,7 bilhões aplicados nas unidades de negócio da companhia durante o ano passado.
Novas concessões e perspectivas para 2026
A Motiva conquistou recentemente a concessão da rodovia Fernão Dias (BR-381), um ativo descrito por Godoy como “bastante maduro e que gera muito caixa”.
Segundo a executiva, a expectativa é que este empreendimento gere um Ebitda em torno de R$ 400 milhões já no primeiro ano de operação. “A adição desse ativo também vem com a obrigação de alguns investimentos importantes”, ressaltou.
Quanto às perspectivas para 2026, a diretora demonstrou otimismo, destacando a resiliência do portfólio da empresa, que está protegido pela inflação. “A gente tem um ano de 2026 com uma perspectiva bastante positiva, em que a Motiva dará continuidade nos avanços estratégicos”, afirmou.
A empresa ainda avalia oportunidades nos segmentos de atuação, especialmente no modal rodoviário e no segmento de trilhos (mobilidade urbana).
Alavancagem controlada e venda de ativos
Apesar do ciclo de crescimento e investimentos, a Motiva manteve a alavancagem controlada. A empresa encerrou o trimestre com o indicador dívida líquida/EBITDA em 3,6 vezes, ligeiramente acima de 3,5. Godoy anunciou que a companhia está implementando medidas para reduzir esse índice, incluindo a venda da plataforma de aeroportos.
“Anunciamos essa venda do modal aeroportuário do nosso portfólio, que vai gerar um valor para a companhia em torno de R$ 5 bilhões de reais”, revelou a diretora. Essa operação faz parte do programa de reciclagem de ativos da Motiva, que tem potencial de destravar valor entre R$ 5 bilhões e R$ 10 bilhões. Com o fechamento dessa transação, a alavancagem da empresa deve cair para aproximadamente 3 vezes.
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Fonte : CNN