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A Polícia Civil de São Paulo passará a investigar o caso da soldado da PM (Polícia Militar) Gisele Alves Santana, de 29 anos, como morte suspeita. Ela foi encontrada sem vida no último dia 18 de janeiro em seu apartamento no Brás, região central de São Paulo.

Gisele era casada com Geraldo Leite Rosa Neto, tenente-coronel da PM.

De acordo com o boletim de ocorrência, os policiais foram acionados com o comunicado de que a mulher teria efetuado disparos de arma de fogo contra a própria cabeça.

A vítima chegou a ser socorrida por uma equipe da USA (Unidade de Suporte Avançado), que iniciaram os procedimentos de reanimação. Gisele precisou ser socorrida pelo helicóptero Águia do Grupamento Aéreo da PM e encaminhada ao Hospital das Clínicas, onde teve o óbito constatado.

O marido dela, Geraldo, informou aos PMs que teria entrado no banheiro de sua casa para tomar banho, quando ouviu um tiro. Ao sair, diz ter visto sua esposa já caída no chão, com a arma na mão e um intenso sangramento.

Casal tinha problemas na relação

Em depoimento, o tenente-coronel conta que conheceu Gisele em 2021. Ele relata que ela já tinha uma filha, hoje com 7 anos, fruto de um relacionamento anterior com um rapaz chamado Jean que, segundo ele, fazia uso de maconha e álcool.

O PM afirma que ambos se conheceram através de uma amiga em comum e que começaram a se relacionar em 2023 e o casamento foi oficializado no ano seguinte, em 2024.

Geraldo conta que sua esposa teria vindo de uma família humilde e por isso se dispôs a arcar com as despesas da casa em que viviam e que realizaria trabalhos além de sua função para pagar a escola da filha de Gisele.

Ainda segundo o depoimento, o policial conta que após ter sido transferido ao 49º BPM/M (Batalhão de Polícia Militar Metropolitano), o relacionamento passou a se tornar conturbado.

Ele esclarece que, após promover mudanças internas na unidade, passou a ser alvo de retaliação por parte de alguns policiais. Segundo relata, teriam sido feitas diversas denúncias anônimas à Corregedoria da Polícia Militar, acusando-o de manter um relacionamento extraconjugal e de se encontrar com uma suposta amante durante o horário de serviço.

O policial também alega que imagens supostamente adulteradas teriam sido enviadas para sustentar as acusações. De acordo com ele, o material pode ter sido produzido com o uso de inteligência artificial.

Além disso, Geraldo conta que sua esposa passou a receber mensagens de perfis falsos nas redes sociais, que diziam que ele possuía amantes.

Segundo conta o PM, esses fatos passaram a gerar discussões constantes dentro do relacionamento e que desde meados de agosto o casal passou a dormir em quartos separados.

Ele relatou que, ao chegar em casa na sexta-feira (13), encontrou Gisele trancada no quarto com a filha. Segundo o depoimento, ela teria retirado as roupas dele do guarda-roupa e colocado na sala, afirmando que iria embora e que queria o divórcio.

No dia seguinte, sábado (14), Gisele saiu pela manhã com a filha. Diante disso, ele foi até São José dos Campos, no interior de São Paulo, onde possui residência, e retornou à capital no mesmo dia. Na chegada, as discussões motivadas por ciúmes teriam continuado.

Na segunda-feira (16), Geraldo trabalhou durante as operações de Carnaval da PM e Gisele levou a filha ao Parque da Mônica. À noite, houve nova discussão por ciúmes, quando ela passou a questioná-lo sobre um suposto relacionamento com outra mulher.

Na terça-feira (17), pela manhã, ele foi à academia do prédio, enquanto o pai da criança compareceu para buscá-la. Ainda segundo o relato, Gisele o abordou no local e questionou o fato de ele revezar um aparelho com outra frequentadora, o que teria provocado nova discussão.

Eles permaneceram em cômodos separados ao longo do dia. Por volta das 18h, conversaram por cerca de duas horas sobre o relacionamento. Ele afirmou ter manifestado insatisfação com a falta de compreensão em relação ao trabalho, às questões financeiras e aos constantes desentendimentos. Depois, ambos teriam ido dormir.

No dia seguinte, ao acordar, decidiu que queria se separar. Por volta das 7h, foi ao quarto de Gisele e disse que, embora ainda a amasse, entendia que a separação seria a melhor decisão, já que o relacionamento não estaria funcionando.

De acordo com o depoimento, ela reagiu de forma exaltada, o mandou sair do quarto e bateu a porta. Em seguida, ele afirma que pegou uma toalha e entrou no banheiro para tomar banho.

Geraldo informou que mantinha a arma de fogo sobre o armário do quarto onde dormia e que tinha o hábito de trancar a porta desde que passaram a dormir separados, alegando que, em relacionamento anterior, Gisele teria jogado água quente no ex-companheiro após uma discussão.

Naquela manhã, disse ter trancado apenas a porta do banheiro. Cerca de um minuto depois de iniciar o banho, ouviu um barulho. Ao sair, encontrou Gisele caída no chão, com intenso sangramento na cabeça e segurando a arma.

Ele afirmou que abriu a porta do apartamento, acionou o resgate e a PM e telefonou para um amigo, identificado como Kogan, que seria desembargador.

Posteriormente, foi encaminhado ao Hospital das Clínicas em viatura descaracterizada, acompanhado por duas psicólogas, onde permaneceu no estacionamento da unidade recebendo atendimento psicológico.

Geraldo conta que a esposa não fazia uso de medicamentos controlados, apenas suplementos, após exames indicarem baixo nível de estradiol. Também disse que não era aceito pelos pais dela, que apoiariam o relacionamento anterior.

PM pediu para tomar banho após o crime

Após o ocorrido e com Gisele já sendo socorrida, Geraldo solicitou autorização aos seus superiores presentes no local para entrar no apartamento e tomar banho.

Inicialmente, o pedido foi negado, mas logo em seguida os superiores autorizaram a sua entrada e o banho.

Ao ser questionado pela polícia sobre o motivo dessa atitude antes de se dirigir ao hospital, ele justificou que sabia que ficaria um longo período fora de casa e que precisaria se deslocar para diversos locais, motivo pelo qual tomou banho e trocou de roupa.

Gisele pediu socorro ao pai

Marinalva Vieira Alves, mãe de Gisele, conta que o relacionamento entre os dois era extremamente conturbado. Ela afirma que o policial seria pessoa abusiva e excessivamente violenta, impondo restrições ao comportamento.

A mãe conta que ele proibia a sua filha de usar batom, salto alto e perfume, além de exigir o cumprimento rigoroso de diversas tarefas domésticas.

Ela relata que quando Gisele mencionou que pretendia se separar, Geraldo teria encaminhado a ela uma fotografia em que aparecia com uma arma apontada para a própria cabeça.

Além disso, ela afirma que a mulher teria feito uma ligação ao seu pai em que chorava muito e que dizia não aguentar mais a pressão, que queria se separar, e pediu para que seu pai fosse buscá-la em casa. Ele tentou ir ao local, mas ela mudou de ideia e disse que ainda estava conversando sobre o término.

Investigação como morte suspeita

O caso, chegou a ser registrado no 8º Distrito Policial, do Brás, como “suicídio consumado”, mas teve inclusão da condição de “morte suspeita” na natureza do crime.

Em nota, a SSP (Secretaria de Segurança Pública) informou que isso seria para permitir a apuração detalhada das circunstâncias do óbito.

Na residência do casal foram apreendidos três celulares, uma pistola calibre .40, munições e carregadores de arma. Além disso, a bermuda que o policial utilizou e retirou ao tomar banho após o crime também passará por perícia.

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Fonte : CNN

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