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A Raízen informou na manhã de hoje que a agência de classificação de risco Moody’s Local Brasil rebaixou seu rating corporativo de ‘AAA.Br’ para ‘CCC+.Br’, com a perspectiva alterada de “negativa” para “em revisão para rebaixamento”. A avaliação ocorre dois dias depois de a S&P Global e Fitch Ratings também rebaixarem o rating da companhia.

A S&P Global rebaixou o rating global da Raízen para CCC+ e o nacional para brCCC+, colocando ambos sob CreditWatch negativo. Segundo a agência, a decisão reflete o aumento do risco de reestruturação da dívida, fluxo de caixa operacional negativo, amortizações relevantes no curto prazo, dificuldades de captação adicional e a contratação de assessores financeiros, interpretada como possível preparação para negociações com credores. A Fitch Ratings também destacou a deterioração do perfil de crédito ao rebaixar a nota da companhia e mantê-la sob observação negativa.

 

Diante da deterioração do perfil financeiro, a Raízen nomeou, também nesta semana, os escritórios Pinheiro Neto e Cleary Gottlieb como assessores para fortalecer sua liquidez e otimizar a estrutura de capital. A empresa confirmou anteriormente, em documento regulatório, que contratou consultores com esse objetivo, mas afirmou que os esforços preliminares não representam qualquer transação potencial acordada.

“A contratação de consultores financeiros indica a alta probabilidade de reestruturação da dívida, após sinais de enfraquecimento da capitalização e das vendas de ativos anteriormente esperadas”, afirmou a S&P em comunicado.

Para enfrentar o cenário, a empresa anunciou uma série de medidas, incluindo venda de ativos não essenciais, redução significativa do Capex — especialmente em projetos de etanol de segunda geração —, cortes na distribuição de dividendos, mudanças na alta administração e maior rigor no controle de custos e eficiência operacional. Cosan e Shell também avaliam alternativas para reforçar o capital da companhia, incluindo a possibilidade de atrair novos investidores.

Estrutura argentina 

Na terça-feira, 10 de fevereiro, a Mercuria Energy Group, trading suíça do setor de energia e commodities, avançou com uma oferta para adquirir uma refinaria e centenas de postos de combustíveis da Raízen na Argentina, de acordo com reportagem da Reuters. A transação pode ultrapassar US$ 1 bilhão, embora nenhum acordo vinculante tenha sido assinado até o momento.

Em novembro, a Raízen reportou prejuízo líquido superior a R$ 2,3 bilhões no segundo trimestre da safra 2025/2026. A dívida líquida para os seis meses encerrados em 30 de setembro atingiu R$ 53,4 bilhões. Em setembro de 2024, o endividamento somava R$ 49,8 bilhões, impulsionado por elevados investimentos (Capex), maiores necessidades de capital de giro, aumento do custo da dívida e desvalorização do real frente ao dólar. A alavancagem financeira deve atingir pico entre 2024 e 2025, em torno de 3,0 a 3,5 vezes dívida líquida/EBITDA, patamar acima do histórico da companhia.

A empresa deve divulgar ainda esta semana os resultados do terceiro trimestre da safra 2025/2026, em meio às negociações para venda de ativos e ao esforço de desalavancagem. No cenário-base da S&P, a empresa poderia reduzir a alavancagem para cerca de 2,5 vezes até o fim do ano fiscal de 2026, embora a volatilidade e a sazonalidade do setor representem riscos adicionais ao processo.

A eventual venda dos ativos na Argentina à Mercuria seria um dos movimentos mais relevantes dentro da estratégia de desinvestimentos da companhia, que busca recompor liquidez e restaurar a confiança de investidores e credores.

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Fonte : CNN

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