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O uso de produtos químicos para o tratamento de piscinas pode causar ferimentos graves e até a morte se houver erro na diluição ou mistura indevida de substâncias.

O risco principal em ambientes fechados ou aquecidos é a formação de gás cloro e cloraminas, vapores que, ao serem inalados, provocam inflamação severa nas vias aéreas e falência respiratória.

A morte de Juliana Faustino Bassetto, 27, após uma aula de natação em uma academia na zona leste de São Paulo, é investigada pela Polícia Civil sob essa suspeita.

No último sábado (7), Juliana sofreu uma parada cardíaca após relatar mal-estar devido a um forte odor químico na piscina da academia. Outros quatro alunos foram internados com sintomas de intoxicação, inclusive o marido dela.

De acordo com Niklas Söderberg, médico clínico do Hospital Ipiranga (gerido pelo Einstein Hospital Israelita), o cloro é seguro apenas dentro da faixa de controle técnico.

Fora desses parâmetros, especialmente se misturado a ácidos (como o ácido muriático), a reação química libera gases tóxicos.

“Isso pode causar tosse intensa, falta de ar, espasmos dos brônquios e, em casos extremos, falência respiratória com necessidade de cuidados de UTI”, afirma o médico.

O contato direto com o produto altamente concentrado também tem potencial para causar queimaduras químicas na pele e nos olhos.

Reação em piscinas aquecidas

A temperatura da água e a ventilação do ambiente são determinantes para a gravidade da exposição.

Glauce Eiko, dermatologista e membro titular da Sociedade Brasileira de Dermatologia e da Sociedade Brasileira de Cirurgia Dermatológica, afirma que o calor intensifica a liberação de vapores irritantes.

A inalação constante dessas substâncias gera uma resposta inflamatória que pode resultar em edema pulmonar.

“Esse estresse respiratório também pode impactar o coração, provocar arritmias ou colapso cardiovascular, especialmente naqueles indivíduos que já têm problemas cardíacos pré-existentes”, diz a médica.

Monitoramento e socorro

Sinais como cheiro excessivamente forte, ardência nos olhos e dificuldade para respirar indicam que a água está com desequilíbrio químico ou supercloração. Nestes casos, a orientação médica é a retirada imediata das pessoas da piscina para áreas ventiladas.

“A morte causada por exposição intensa ao cloro é incomum, mas em teoria pode acontecer em casos de inalação de gás em ambiente fechado”, diz Söderberg.

Em situações de chiado no peito, vômitos ou confusão mental, o serviço de urgência deve ser acionado, segundo o médico.

O inquérito policial sobre a morte de Juliana aguarda laudos periciais para confirmar as substâncias presentes na água. Os proprietários da academia ainda não prestaram depoimento e não foram encontrados.

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Fonte : CNN

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