A presidente do México, Claudia Sheinbaum, se ofereceu para ser um ponto de negociação na tensão entre Estados Unidos e Venezuela para evitar “qualquer conflito na região”.
Nesta quarta-feira (17), Sheinbaum comentou que, caso as partes envolvidas no diálogo assim decidam, o México poderia mediar as conversas.
“Podemos sempre ser um ponto de negociação e de encontro, se as partes assim o considerarem, terão de nos propor isso, e caso contrário, deverão procurar mediadores para evitar qualquer conflito na região”, declarou ela em sua conferência de imprensa matinal.
Ofensiva militar dos EUA
Os Estados Unidos vêm realizando uma campanha de pressão contra a Venezuela há meses, que inclui o envio de milhares de soldados e porta-aviões para o Caribe, além de ataques a supostos navios de narcotráfico e repetidas ameaças contra o ditador sul-americano Nicolás Maduro.
No entanto, as tensões aumentaram ainda mais nas últimas horas após o presidente dos EUA, Donald Trump, ordenar um “bloqueio total e completo” dos petroleiros sancionados que entram e saem da Venezuela.
Somada à ameaça de Trump de ataques terrestres em solo venezuelano, a medida aumentou a pressão sobre Nicolás Maduro, atingindo sua fonte vital de receita, que já estava sob pressão após as novas sanções ao setor petrolífero no início deste ano e a apreensão, na semana passada, de um petroleiro carregado com petróleo bruto venezuelano.
Por sua vez, o governo venezuelano rejeitou o bloqueio de petroleiros sancionados anunciado por Trump, classificando-o como uma “ameaça grotesca”.
Em comunicado oficial, Caracas afirmou que os Estados Unidos estavam “violando o direito internacional, o livre comércio e a liberdade de navegação” e que isso constituía uma “ameaça imprudente e grave” contra o país.
Enquanto isso, na quarta-feira, em pronunciamento televisionado, o ministro da Defesa venezuelano, Vladimir Padrino López, descreveu as declarações de Trump sobre o bloqueio de petroleiros como “muito prepotentes, muito arrogantes, muito supremacistas”.
No mesmo pronunciamento, o procurador-geral da Venezuela, Tarek William Saab, expressou “repúdio total e absoluto” ao anúncio do presidente americano.
Posicionamento neutro
Em relação à ordem de Trump para bloquear a entrada e saída de petroleiros sancionados na Venezuela, Sheinbaum reiterou que o México sempre permanecerá neutro em questões internacionais e expressou seu descontentamento com as intenções de intervenção internacional.
“Considerando a declaração de ontem do presidente Trump e a situação na Venezuela, reiteramos a posição do México, em conformidade com a Constituição, de não intervenção, não interferência, autodeterminação dos povos e resolução pacífica de conflitos. Apelamos ao diálogo e à paz, e não à intervenção, em qualquer disputa internacional”, disse o presidente.
Sheinbaum acrescentou que, “além das opiniões sobre o regime venezuelano, sobre a presidência de Maduro”, a posição de qualquer presidente mexicano deve ser sempre a de não intervenção de potências estrangeiras, conforme dita o artigo 40 da Constituição Mexicana.
Por fim, a líder mexicana apelou às Nações Unidas (ONU) para que assumam o seu papel de mediador da paz.
“Um apelo às Nações Unidas: que assumam o seu papel. Não o têm feito. Que assumam o seu papel para prevenir qualquer derramamento de sangue e para procurar sempre a resolução pacífica dos conflitos”, afirmou Sheinbaum.
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Fonte : CNN