O diretor-geral de desenvolvimento nuclear e tecnológico da Marinha, almirante de esquadra Alexandre Rabello de Faria, defendeu o uso de tecnologias nucleares nos setores de defesa e energia como instrumento de fortalecimento da soberania nacional.
A declaração foi dada durante a terceira edição do Nuclear Summit, realizada nos dias 23 e 24 de março, no Rio de Janeiro, evento promovido pela ABDAN (Associação Brasileira para o Desenvolvimento de Atividades Nucleares).
Durante o encontro, Rabello afirmou que o domínio da tecnologia nuclear é um ativo “indispensável para a soberania do país”, com efeitos que “extrapolam o uso militar”.
Ao tratar especificamente da área de defesa, Rabello também voltou a defender o avanço do submarino de propulsão nuclear brasileiro, considerado pela Marinha um dos principais projetos estratégicos do país.
“Se estamos sediados aqui no Rio de Janeiro e temos um problema lá no Norte, algum maluco quer pegar nosso presidente, só por exemplo. Nosso submarino convencional demoraria 15 dias para chegar lá e, chegando lá, precisaria ser reabastecido. O submarino nuclear chega em três dias, e para passar em cima dele vai ser difícil”, afirmou.
A fala ocorre em um momento em que a energia nuclear e suas aplicações voltaram ao centro do debate geopolítico, tanto no campo da segurança energética quanto no da defesa.
O próprio ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, por exemplo, já defendeu publicamente, em mais de uma ocasião, a ampliação do uso da energia nuclear no Brasil, tanto para garantir segurança energética quanto para fortalecer a soberania nacional.
Na prática, a principal diferença entre um submarino nuclear e um convencional está na autonomia, na velocidade sustentada e no tempo de permanência no mar.
O submarino convencional precisa emergir ou navegar em condição que permita recarregar baterias e reabastecer, o que limita seu raio de ação e sua permanência contínua em patrulha.
Já o submarino de propulsão nuclear consegue permanecer submerso por períodos muito mais longos e percorrer grandes distâncias com mais rapidez, o que amplia sua capacidade de dissuasão, de vigilância e de resposta em um país com extensa costa e forte dependência do mar para comércio exterior, produção de petróleo e gás.
Para a Marinha, o submarino nuclear não é apenas um ativo de guerra, mas um instrumento de negação do uso do mar, patrulha de áreas estratégicas e proteção da chamada Amazônia Azul.
O avanço dessa tecnologia, porém, continua condicionado por restrições orçamentárias.
O programa do submarino nuclear atravessa uma fase sensível de financiamento, e a própria Marinha já alertou o governo para o risco de paralisação parcial caso não haja reforço de recursos.
O desenvolvimento brasileiro nessa frente também é acompanhado internacionalmente.
Isso ocorre, de um lado, porque o projeto tem peso estratégico e militar evidente; de outro, porque envolve material nuclear e, por isso, está submetido a discussões formais de salvaguardas com a AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica).
Esse acompanhamento ajuda a dimensionar a singularidade do projeto brasileiro.
O país tenta avançar em uma tecnologia dominada por um grupo muito restrito de nações, ao mesmo tempo em que busca preservar sua autonomia tecnológica e atender às exigências internacionais de controle nuclear.
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Fonte : CNN