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O Fomc (Comitê Federal de Mercado Aberto) decidiu manter a taxa de juros dos EUA no patamar entre 3,50% e 3,75% nesta quarta-feira (18). A medida era amplamente esperada pelo mercado, ainda mais com pressões econômicas pela guerra no Oriente Médio.

O comunicado do Comitê menciona as incertezas diante do conflito com o Irã, assim como a persistência da inflação em patamar elevado.

As decisões do Fed costumam afetar diferentes investimentos e com o mercado cripto não é diferente: o bitcoin vinha mostrando resiliência em meio ao momento de tensão geopolítica, mas e agora? Para onde vai o bitcoin?

Assuntos como esse serão abordados no programa Resenha do Dinheiro e na News da Resenha, newsletter para manter os investidores informados e ajudar na tomada de melhores decisões no mercado.

Fuga de ativos de risco

Bernardo Pascowitch, CEO da Yubb e apresentador da Resenha do Dinheiro, destaca a relação entre o momento conturbado da economia norte-americana e a trajetória possível para o principal criptoativo do mercado.

“Não tem liquidez global nesse momento para Bitcoin e criptomoedas. Os investidores estão preocupados com a situação nos EUA e com a dívida pública americana. Isso enfraquece a confiança no dólar, preocupados com o petróleo em alta e risco de recessão global. Nesse momento, o que os investidores fazem? Saem dos ativos de risco e vão para os ativos mais seguros”, afirma.

Pascowitch vê impactos em outros investimentos de risco, como as ações de tecnologia das bolsas americanas, mas reitera a estimativa negativa para o bitcoin.

“Sim, a tendência principal é de queda ainda do bitcoin”, pontua.

Ele ainda menciona que o Fed só deve cortar juros quando a inflação americana cair e que há um “grande medo” de estagnação econômica.

O Fomc divulgou as projeções para o ano e os dados pioraram nos EUA: a estimativa é de que a inflação termine 2026 em 2,7%.

“Está muito difícil a situação americana, de um lado inflação alta, de outro lado a economia desacelerando. O Fed não sabe o que fazer. Se ele reduz o juro, ele fomenta mais inflação. Se ele deixa o juro alto, ainda mais com a questão do Irã e do Oriente Médio, ele pode causar uma recessão nos Estados Unidos”, analisa Pascowitch.

O apresentador da Resenha do Dinheiro ainda destaca as falas de Jerome Powell, que acredita em uma inflação temporária e pontual do petróleo, e a dificuldade em entender os impactos da guerra no Oriente Médio para a economia americana.

Paula Zogbi, estrategista-chefe da Nomad, analisa o comunicado do Banco Central americano.

“Os membros do comitê seguem divididos a respeito da magnitude e velocidade dos cortes: 12 esperam ao menos mais um corte, enquanto sete disseram que a taxa de juros deve permanecer onde está até a virada do ano. Esse movimento mostra uma inclinação maior à manutenção do que no documento anterior, o que leva a uma interpretação de manutenção hawkish”, avalia.

Com a expectativa de um Fed mais restritivo para o ano, a estrategista-chefe da Nomad, assim como Pascowitch, projeta fuga para títulos do Tesouro americano.

“O movimento esperado para o mercado cripto tende a ser de fuga e queda nos preços dos ativos, respondendo a uma maior atratividade da renda fixa americana, com a curva de juros abrindo no médio prazo, com a visão de juros altos por mais tempo”, diz Zogbi.

Guilherme Fais, head de finanças da NovaDAX, também vê o bitcoin impactado pela política monetária americana.

“O Bitcoin segue sensível à dinâmica macro. Apesar da recente recuperação observada no preço, o ativo ainda opera em um ambiente em que liquidez global, apetite por risco e expectativas de política monetária continuam sendo os principais direcionadores de curto prazo”, diz Fais.

“Diante desse cenário, o Bitcoin entra em um momento de equilíbrio, no qual fatores técnicos e macroeconômicos se combinam. O comportamento do ativo nos próximos dias deve refletir não apenas sua estrutura de mercado, mas também a leitura dos investidores sobre o futuro da política monetária global”, completa.

O bitcoin começou esta Super Quarta acima dos US$ 74 mil, mas foi perdendo valor e, após a decisão do Fed, operava na casa dos US$ 70 mil, segundo o site CoinMarketCap.

Projeções do Fed

O Federal Reserve estima apenas mais um corte na taxa de juros dos EUA até o fim de 2026, de 0,25 pontos percentuais.

Já para a inflação, a estimativa é de que ela termine em 2,7% em 2026 e continue convergendo até 2,2% no final de 2027, próxima da meta de 2%.

O crescimento econômico foi ligeiramente melhorado, para 2,4% em 2026, em comparação com 2,3% em dezembro, e a projeção da taxa de desemprego permaneceu inalterada em 4,4%.

Resenha do Dinheiro

Realizado em parceria com a B3 e a gestora de investimentos BlackRock, o programa é apresentado por Thiago Godoy, o “Papai Financeiro”; Bernardo Pascowitch, fundador e CEO do Yubb; e Marilia Fontes, sócia-fundadora da Nord Investimentos; e propõe uma abordagem leve, direta e descomplicada sobre temas ligados a educação financeira e investimentos.

O programa vai abordar semanalmente as principais notícias e movimentos da economia com a leveza de uma conversa informal — como uma resenha entre amigos, no boteco ou após o futebol — mas sem perder a análise e o conteúdo.

A Resenha do Dinheiro vai ao ar todas as sextas-feiras, às 19h, no canal do CNN Money no YouTube.

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Fonte : CNN

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