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Chegou a sete o número de integrandes da Seleção Feminina do Irã que permaneceram na Austrália e solicitaram asilo após a disputa da Copa da Ásia.

Depois das cinco jogadoras que pediram e receberam vistos humanitários ainda na segunda-feira (9), uma fonte próxima ao grupo disse à CNN Sports que outros dois integrantes da equipe — uma jogadora e um membro da comissão técnica — também solicitaram asilo.

O restante da delegação já deixou o país rumo ao Irã, informou uma fonte à CNN Sports. Ainda não está claro qual rota será utilizada nem quando chegarão.

Um observador no local contou à CNN que pessoas reunidas do lado de fora do hotel onde a equipe estava hospedada, nesta terça-feira (10), tentaram impedir que o ônibus do time saísse em direção ao Aeroporto de Gold Coast, em Queensland, na Austrália.

A pessoa que estava no hotel também afirmou que uma das jogadoras parecia estar chorando enquanto o que pareciam ser seguranças escoltavam a equipe até o ônibus.

Na segunda-feira (9), em uma declaração na rede Truth Social, Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, disse que seria um “grave erro humanitário” se a Austrália permitisse que a equipe voltasse ao Irã e que os EUA concederiam asilo às jogadoras caso a Austrália não o fizesse.

Como tudo começou

A seleção iraniana estava na Austrália após disputar a Copa da Ásia Feminina na semana passada. Com três derrotas na fase de grupos, acabou eliminada do torneio.

Antes da primeira partida do campeonato, contra a Coreia do Sul no dia 2 de março, as jogadoras iranianas permaneceram em silêncio durante a execução do hino nacional — um gesto que elas não explicaram, mas que foi interpretado por alguns setores mais radicais dentro do Irã como um sinal de traição.

Fontes próximas à equipe disseram à CNN Sports que, posteriormente, elas foram obrigadas, sob ameaças às suas famílias, a cantar o hino nacional antes das duas partidas seguintes da fase de grupos. Agora há temores de que o elenco enfrente perseguição ao retornar ao Irã.

Segundo a mídia estatal iraniana, o gabinete do procurador-geral do Irã incentivou a seleção feminina a voltar para casa.

“Algumas integrantes trabalhadoras da nossa seleção feminina de futebol — que são filhas desta mesma terra — agiram de forma não intencional, influenciadas por provocações emocionais decorrentes de esquemas e intrigas dos inimigos”, disse o comunicado.

O texto acrescenta:

“Elas são convidadas a retornar à sua pátria com calma e confiança. Ao fazer isso, poderão não apenas aliviar as preocupações de suas famílias, mas também ficar ao lado do grande e admirável povo do Irã no enfrentamento das conspirações dos inimigos do nosso amado país.”

Enquanto isso, o ministro dos Esportes do Irã, Ahmad Donyamali, afirmou que “inimigos” teriam tentado “desviar” as jogadoras de voltar para casa com “ofertas tentadoras”.

“Elas agora estão retornando à sua pátria e ao caloroso abraço de suas famílias”, acrescentou ele na terça-feira, sem fornecer mais detalhes.

Preocupação global

Após a derrota na última partida do torneio, no último domingo (8), apoiadores se aglomeraram ao redor do ônibus da equipe, gritando para a polícia “salvem nossas meninas” enquanto o veículo se afastava.

Hadi Karimi, defensor de direitos humanos e membro da comunidade iraniana local, disse que os apoiadores do lado de fora do ônibus puderam ver claramente pelo menos três jogadoras fazendo o sinal internacional de pedido de ajuda com as mãos.

No entanto, uma fonte próxima à equipe expressou ceticismo à CNN, dizendo duvidar que as integrantes do time soubessem o significado desse gesto.

Na segunda-feira (9), a CNN informou que pelo menos sete integrantes da equipe haviam deixado o hotel em Gold Coast, sendo que cinco delas acabaram solicitando asilo à Polícia Federal Australiana. A jornalista esportiva Raha Pourbakhsh disse à CNN Sports que as famílias de três dessas cinco jogadoras foram ameaçadas.

Craig Foster, ex-jogador da seleção australiana e defensor dos direitos humanos, afirmou que “uma ampla variedade de organizações” tentou conversar com as jogadoras durante o período em que estiveram na Austrália, mas não tiveram essa oportunidade.

Ele disse que, como as atletas haviam sido eliminadas da Copa da Ásia Feminina, a Confederação Asiática de Futebol (AFC), que organiza o torneio, tinha responsabilidade pelo bem-estar delas.

A CNN entrou em contato com a AFC para comentar o caso.

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Fonte : CNN

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