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O presidente da França, Emmanuel Macron, defendeu, nesta terça (10), uma maior produção de energia nuclear como uma forma “de independência” durante a Cúpula de Energia Nuclear, em Paris.

A declaração do líder europeu chega um dia depois de uma forte volatilidade no mercado de petróleo, causada por incertezas na Guerra Estados Unidos-Israel contra o Irã.

“Vamos precisar da energia nuclear porque ela é uma fonte de progresso e prosperidade”, disse Macron.

O francês insiste que uma maior produção energética desse tipo seria uma forma de “independência”, além de “evitar o impacto de convulsões geopolíticas” nas economias do continente europeu. Nesta segunda (9), o barril de petróleo do tipo Brent chegou a variar mais de US$ 20 por causa do conflito no Oriente Médio.

No entanto, a própria energia nuclear francesa sofre abalos de outra guerra: a da Ucrânia. Cerca de 39% do urânio enriquecido utilizado pela França foi importado da Rússia em 2025. O presidente francês reconhece a necessidade de uma diversificação.

“Precisamos cooperar internacionalmente para avançar nessa questão e diversificar nossas fontes de suprimento”, prosseguiu.

As usinas nucleares já produzem 74% da energia na França, segundo dados do governo de 2025. Para comparação, a média da União Europeia no mesmo ano estava na casa dos 20%. Por isso, o presidente francês cobrou uma maior integração de mercados – além de mais investimentos dos europeus.

“A energia nuclear deve ser utilizada para construir este sistema europeu de energia e eletricidade que tanto desejamos, criando verdadeiras conexões transfronteiriças e melhorando a qualidade das redes europeias existentes”, afirmou.

Nesse sentido, Macron apresentou quatro “eixos de ação” para a expansão desse modelo energético:

  • Melhorar o funcionamento das usinas existentes, reforçando a segurança e mantendo o investimento;
  • Aumentar a taxa de produção, algo que pode ser beneficiado por uma padronização de reatores;
  • Melhorar o financiamento de projetos;
  • Construir grandes programas, criando interconexões entre os países.

A presidente da Comissão Europeia, Ursula Von der Leyen, endossou o discurso de Macron. Ela anunciou estímulos de investimentos do bloco ao setor e disse considerar um “erro” a decisão do continente de se afastar desse modelo energético.

“Essa redução na participação da energia nuclear foi uma escolha. Acredito que foi um erro estratégico da Europa virar as costas para uma fonte de energia confiável, acessível e com baixas emissões”, disse.

A Europa viu os preços da energia dispararem por causa da guerra contra o Irã e a alta volatilidade nos mercados. Para Von der Leyen, isso é um “duro lembrete” da vulnerabilidade do continente e um alerta para um aumento de produção de energia nuclear e meios renováveis.

Armas nucleares

Na semana passada, Macron fez um longo discurso onde confirmou que irá expandir o arsenal nuclear militar francês nos próximos anos.

“Tudo isso, depois de uma observação meticulosa, me levou a uma conclusão: um aprimoramento do nosso arsenal é indispensável”, disse Macron no dia 2 de março. Durante a longa cerimônia, Macron estava na frente de um dos submarinos nucleares da França, chamado de “Le Téméraire” – “O Temerário”, em português.

Ele destacou que o país irá retomar, também, seus testes nucleares e deixará de comunicar o tamanho do seu arsenal.

Macron assumiu que essa decisão veio, parcialmente, na esteira do afastamento dos Estados Unidos da Europa. E que isso precisa ser um chamado para o continente cuidar da própria segurança

* com informações da Reuters.

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Fonte : CNN

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