O Dia Internacional da Mulher, celebrado este domingo (08) é um momento de reflexão sobre os direitos conquistados e os desafios que ainda persistem na sociedade contemporânea. A indústria cinematográfica tem um papel fundamental nessa conscientização, ao transpor para as telas histórias de resiliência, liderança e confronto com sistemas opressivos.
Os filmes que abordam a vivência feminina ganham ainda mais relevância quando incorporam o debate sobre a interseccionalidade. A sobreposição de preconceitos, como o machismo e o racismo, cria realidades distintas que exigem narrativas específicas. Obras baseadas em fatos ou em ficções contundentes expõem as dinâmicas de poder e as exigências desproporcionais impostas às mulheres no mercado de trabalho, na vida acadêmica e no ambiente doméstico.
Abaixo, selecionamos sete produções que marcaram o cinema recente ao colocar a vivência da mulher no centro do debate.
1. As Sufragistas (2015)
Com foco direto na origem do movimento feminista na Inglaterra, a obra foi amplamente reconhecida pela crítica especializada. O roteiro afasta-se das figuras da elite para mostrar mulheres da classe operária que arriscaram seus empregos, famílias e a própria vida pelo direito básico ao voto.
A direção de Sarah Gavron expõe a brutalidade da violência institucional do Estado contra atrizes e operárias, mostrando que as conquistas de gênero exigiram sacrifícios físicos reais.
2. Ainda Estou Aqui (2024)
O aclamado longa do diretor Walter Salles fez história ao vencer o Oscar de Melhor Filme Internacional em 2025, além de receber indicações nas categorias de Melhor Filme e Melhor Atriz para Fernanda Torres. A trama acompanha a vida de Eunice Paiva, que vê sua rotina transformada de forma brutal após seu marido ser levado pela ditadura militar brasileira.
A obra é um retrato fidedigno da resistência feminina, detalhando como uma dona de casa precisou se reinventar como advogada e ativista de direitos humanos para proteger a família e cobrar respostas do Estado.
3. Que Horas Ela Volta? (2015)
Vencedor do Prêmio do Público na mostra Panorama em Berlim e laureado em Sundance, o filme de Anna Muylaert é um tratado sobre a herança patriarcal e escravocrata do Brasil. A história da empregada doméstica Val (interpretada por Regina Casé) e de sua filha, Jéssica (Camila Mádila), discute abertamente a interseção entre gênero e classe social.
A narrativa expõe a invisibilidade do trabalho de cuidado, tradicionalmente imposto às mulheres, e o choque de gerações frente às antigas estruturas de servidão.
4. Retrato de uma Jovem em Chamas (2019)
Vencedor do prêmio de Melhor Roteiro no Festival de Cannes, o longa da diretora Céline Sciamma é um marco do cinema independente europeu. A trama acompanha uma pintora contratada para fazer o retrato de uma jovem nobre que resiste a um casamento arranjado no século XVIII.
A obra é uma análise incisiva sobre como a sociedade apaga as mulheres da história e da arte, construindo um manifesto poderoso sobre a autonomia feminina e o olhar livre das imposições masculinas.
5. A Cor Púrpura (1985)
O clássico dirigido por Steven Spielberg acumulou 11 indicações ao Oscar, incluindo Melhor Filme e Melhor Atriz para Whoopi Goldberg. A narrativa expõe a dura realidade de Celie, uma mulher negra no sul dos Estados Unidos durante o início do século XX, que sobrevive a décadas de violências físicas e psicológicas.
O filme é um marco cultural por abordar frontalmente a interseccionalidade, ilustrando como o racismo sistêmico e a opressão de gênero atuam de forma conjunta para silenciar as mulheres negras, ao mesmo tempo em que exalta o poder da união feminina.
6. A Vida Invisível (2019)
Este filme, dirigido pelo cearense Karim Aïnouz, retrata a asfixia das mulheres no Rio de Janeiro dos anos 1950. A história acompanha duas irmãs separadas por uma moralidade machista e conservadora.
O roteiro apresenta um silenciamento sistemático das ambições femininas dentro da estrutura familiar tradicional, provando que a violência patriarcal muitas vezes ocorre no ambiente doméstico de forma silenciosa e aceita.
7. Estrelas Além do Tempo (2016)
O drama histórico recebeu três indicações ao Oscar, incluindo Melhor Filme e Melhor Atriz Coadjuvante para Octavia Spencer. O roteiro resgata a fundamental participação de três matemáticas negras que trabalharam na NASA durante os momentos decisivos da corrida espacial nos anos 1960.
O filme documenta a exaustiva dupla jornada de discriminação vivida pelas personagens, que precisavam comprovar sua genialidade intelectual diariamente enquanto enfrentavam o forte machismo institucional e a segregação racial sancionada pelas leis norte-americanas da época.
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Fonte : CNN