A viagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, à Índia pode ser decisiva para definir o palanque do PT nas eleições em São Paulo. Segundo apuração de Matheus Teixeira, ao Live CNN, há expectativa de que os dois aproveitem o longo voo para discutir e possivelmente bater o martelo sobre a estratégia eleitoral no maior colégio eleitoral do país.
“Tem uma grande indefinição na esquerda tanto em relação a quem será o candidato a governador, quanto às duas vagas do Senado Federal, o que tem dado muita dor de cabeça ao Partido dos Trabalhadores”, apontou Teixeira: “Mas, há uma expectativa de que a conversa entre o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e o presidente Lula ocorra nessa viagem e que eles batam o martelo sobre qual será o papel do chefe da equipe econômica na disputa em São Paulo”.
A indefinição sobre quem será o candidato do PT em São Paulo tem gerado preocupação no partido. Há um impasse tanto em relação ao nome que disputará o governo estadual quanto às duas vagas para o Senado Federal. Pessoas próximas ao ministro Fernando Haddad revelaram que, se ele embarcasse com Lula para a Índia, as chances de sua candidatura ao governo paulista aumentariam consideravelmente.
“Até pessoas próximas a Haddad, que admiram muito Lula, falam que se ele conseguiu desdobrar até o presidente Trump nas conversas, não vai ser o Haddad que vai resistir”, relatou o analista.
Pressão por um palanque competitivo
O presidente Lula tem demonstrado interesse direto na candidatura de Haddad ao governo de São Paulo. Para o PT, é fundamental ter um palanque forte no estado para as eleições presidenciais de 2026. A preocupação se intensifica diante do favoritismo do atual governador Tarcísio de Freitas, que poderia vencer já no primeiro turno.
O cenário preocupa o partido por uma razão estratégica: caso o presidente Lula vá para um segundo turno in 2026, possivelmente contra um candidato apoiado por Jair Bolsonaro, como o senador Flávio Bolsonaro, seria prejudicial não ter um palanque em São Paulo durante a fase decisiva da campanha presidencial. Por isso, mesmo que não vença, é importante para o PT ter um candidato competitivo que leve a disputa para o segundo turno.
“Por entender que Haddad seria o nome mais competitivo – poderia até perder, mas, pelo menos se aproxima, não sofre uma derrota tão contundente que atrapalhe o plano nacional do PT”, afirmou Matheus Teixeira.
Além de Haddad, outros nomes são considerados para compor a chapa em São Paulo. A ministra Marina Silva, que também embarcou no avião presidencial, é cotada para uma vaga ao Senado Federal. Há ainda a possibilidade de inclusão da ministra Simone Tebet na composição, seja como candidata ao governo ou ao Senado – “ela é o terceiro elemento dessa chapa de São Paulo que está se desenhando, Haddad ao governo, Marina e Tebet ao Senado”, refletiu Teixeira.
Fernando Haddad tem resistido à ideia de deixar o Ministério da Fazenda para disputar a eleição, preferindo apenas coordenar o programa de governo. No entanto, aliados acreditam que ele dificilmente conseguirá manter essa posição após longas horas de conversa com Lula durante a viagem internacional.
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Fonte : CNN