O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que a Copa do Mundo Feminina no Brasil deve representar uma “redenção” pelo que classificou como vexame na Copa de 2014. A declaração foi feita durante a cerimônia do Tour da Taça, realizada nesta quinta-feira (26), no Palácio do Planalto, em Brasília.
“A Copa Feminina aqui no Brasil tem que significar um símbolo para nós nesse momento histórico que estamos vivendo. Primeiro, porque nós temos que nos redimir do que aconteceu conosco em 2014. Foi um vexame”, disse, referindo-se à derrota por 7 a 1 para a Alemanha na semifinal disputada no Mineirão.
Segundo Lula, o ambiente político e as denúncias de corrupção envolvendo as obras do Mundial influenciaram o clima no país e, consequentemente, o desempenho da seleção dentro de campo.
“Não foi um vexame dos jogadores. O Brasil vivia um momento muito delicado, em que havia muitas mentiras sobre corrupção na Copa do Mundo. Aquilo resultou na meninada toda nervosa, toda irritada, porque não havia clima sequer para jogar futebol. É a única explicação para aquele banho que a gente levou da Alemanha”, afirmou.
“Se tivessem jogado sério, teriam feito mais dois ou quatro gols, mas resolveram deixar só sete para a gente nunca mais esquecer. E aí aconteceu o que aconteceu. A gente imaginava que ia ser seis vezes campeão do mundo, mas perdemos aqui no Brasil”, brincou.
Lula destacou ainda que o Brasil está há 24 anos sem conquistar uma Copa do Mundo masculina. “Se a gente não ganhar agora, vamos bater o recorde dos recordes sem ganhar a Copa.”
Apesar do jejum, disse estar confiante na próxima campanha e elogiou o técnico Carlo Ancelotti.
“Estou convencido de que vamos ganhar essa Copa. Eu conversei com Ancelotti e achei uma figura completamente séria, com a cabeça no lugar. Convencido de que só vai jogar aquele que tiver 100% de condições. Quando um técnico tem seriedade, os jogadores sabem que têm responsabilidade”, declarou.
Copa do Mundo Feminina no Brasil
Ao tratar do Mundial feminino, Lula defendeu que o torneio seja um marco para a valorização das mulheres no esporte.
“Essa Copa tem alguns ingredientes. Primeiro, é preciso que a gente comece a valorizar o futebol feminino como merece ser valorizado”, afirmou.
O presidente lamentou a diferença salarial entre homens e mulheres no futebol brasileiro e apontou o cenário como reflexo da desigualdade de gênero no país.
“Você tem jogador no banco de reserva ganhando um milhão e meio, sem atuar há vários meses, enquanto as titulares da seleção brasileira ganham de 20 a 25 mil reais por mês. Algumas recebem 5 mil nos clubes em que jogam, ou até um salário mínimo. É um disparate a valorização do jogador masculino e a desvalorização da jogadora mulher”, disse.
“Esse é um processo que é o chamado preconceito de gênero. É a diferença que existe na sociedade machista no tratamento que dão às mulheres. Porque elas mereciam ganhar mais, são profissionais, vivem disso, cuidam da família jogando futebol”, acrescentou.
Segundo Lula, a Copa pode representar um ponto de virada na forma como o futebol feminino é tratado no país.
“Eu acho que essa Copa do Mundo é um alento para que a gente possa sair com as mulheres muito mais valorizadas, respeitadas como os homens são hoje.”
Por fim, cobrou mudanças institucionais das entidades esportivas.
“As mulheres precisam ser respeitadas. Aqui no Brasil, nós precisamos avançar, e a Copa do Mundo vai servir para isso. Então cabe à confederação brasileira e às federações estaduais tratarem o futebol feminino com respeito. Não apenas do ponto de vista do salário, mas do respeito mesmo.”
“Na Copa Feminina, temos que nos redimir do que aconteceu em 2014. Temos que fazer disso uma festa”, concluiu.
O Brasil sediará a Copa do Mundo Feminina da FIFA 2027 pela primeira vez na história. A décima edição do torneio será disputada entre 24 de junho e 25 de julho de 2027, com a participação de 32 seleções.
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Fonte : CNN