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A recente ação militar realizada pelos Estados Unidos, que culminou na prisão de Nicolás Maduro e em seu encaminhamento para julgamento em solo americano, representou um ponto de virada nas relações entre os países do continente e reabriu discussões sobre soberania, intervenção, além da disputa por recursos e áreas de influência.

E, agora, a escalada ganhou um capítulo ainda mais explosivo: Estados Unidos e Israel conduziram ataques contra alvos no Irã, ampliando o risco de um conflito regional de grandes proporções.

Em meio a esse cenário de transformações aceleradas, cresce a necessidade de compreender não apenas as crises imediatas, mas também os mecanismos históricos e políticos que tornam possíveis episódios de guerra, intervenção e instabilidade prolongada.

A Editora Unesp oferece uma seleção de obras fundamentais para quem deseja analisar a guerra em suas múltiplas dimensões, reunindo títulos que permitem refletir tanto sobre conflitos contemporâneos quanto sobre padrões recorrentes de disputa por poder, território e legitimidade internacional.

Confira a lista de 10 livros:

“Israel-Palestina: A construção da paz vista de uma perspectiva global”

Gilberto Dupas e Tullo Vigevani

Dois povos se envolvem em um conflito duradouro que parece permanecer inabalável diante de cada esforço de pacificação.

Israelenses e palestinos propõem a negociadores e analistas um enorme quebra-cabeça político, cada vez mais associado ao fanatismo religioso e nacionalista.

Existiria uma forma de acabar com o que parece ser um infindável derramamento de sangue? O que explica o fracasso de uma solução estável para a guerra na região?. Este livro procura expor a complexidade dessas perguntas e fornecer elementos que permitam entender e entrever as condições necessárias para uma resposta.

“Petróleo e poder: O envolvimento militar dos Estados Unidos no Golfo Pérsico”

Igor Fuser

O autor analisa em profundidade o papel do petróleo na definição da política norte-americana para o Golfo Pérsico entre 1945 e 2003, com ênfase na relação entre o aumento da dependência dos Estados Unidos em relação aos combustíveis importados e seu crescente intervencionismo na região.

O autor demonstra que, para entender os motivos da invasão do Iraque pelos Estados Unidos, é preciso ir muito além de temas como terrorismo, armas de destruição em massa e o suposto interesse norte-americano na promoção da democracia.

A postura unilateral e belicosa adotada pelo presidente George W. Bush após os atentados de 11 de setembro, sem dúvida, ajuda a explicar a polêmica iniciativa militar.

Ainda assim, a história da política dos Estados Unidos no Oriente Médio nos últimos sessenta anos revela uma notável continuidade entre a agressão militar ao Iraque e a conduta dos governos anteriores – republicanos ou democratas. Entre os objetivos permanentes que a maior potência do planeta persegue naquela região, destaca-se, em primeiro plano, o controle de suas imensas reservas de petróleo.

“Paz e guerra: Defesa e segurança entre as nações”

Eduardo Mei e Héctor Luis Saint-Pierre

Os oito ensaios reunidos nesta coletânea apresentam um panorama multifacetado da pesquisa em defesa e segurança internacional no Brasil.

Abordando questões diversas, que vão das referências teóricas e históricas da área a estudos sobre a participação feminina nas forças armadas, Paz e guerra: defesa e segurança entre as nações reúne um rico subsídio para pesquisadores e interessados em questões de conflitos internacionais.

“Por que os homens vão à guerra”

Bertrand Russell

“O princípio supremo, tanto na política quanto na vida privada, deveria ser o de promover tudo o que for criativo e, assim, diminuir os impulsos e desejos que giram em torno da posse.”

Esta obra constitui potente reflexão sobre os elementos que levam o homem a estados de beligerância e os níveis em que isso poderia ou deveria ser evitado, contribuindo decisivamente para a fama de Russell como crítico social e pacifista.

“Um mundo sem guerras”

Domenico Losurdo

Nesta obra, o autor traça a história da ideia de paz, desde a Revolução Francesa até os dias atuais, e problematiza questões dramáticas de nosso tempo: é possível construir um mundo sem guerras? Devemos confiar na não violência? A democracia é garantia real de paz ou pode transformar-se em ideologia de guerra?

Refletir sobre as promessas, as decepções, as voltas e reviravoltas da história da ideia de paz perpétua é essencial para compreender nosso passado e dar novo impulso à luta contra o crescente perigo de novas guerras.

“Como os Estados pensam”

John J. Mearsheimer e Sebastian Santoro

Uma análise inovadora de uma questão central nas relações internacionais: o que é a racionalidade na política? Para entender a política mundial, é preciso entender como os Estados pensam.

Os Estados são racionais? Grande parte da teoria das relações internacionais pressupõe que sim, mas muitos acadêmicos acreditam que líderes globais quase nunca agem de forma racional.

Examinando conflitos políticos e líderes mundiais do passado e do presente, incluindo George W. Bush e Vladimir Putin, os autores renovam a reflexão sobre esse ponto fundamental, mostrando como se deram os processos racionais (ou irracionais) por trás das grandes decisões políticas da história recente.

“O Ocidente dividido”

Jürgen Habermas

“Não foi o perigo do terrorismo internacional que dividiu o Ocidente, mas uma política do atual governo norte-americano que ignora o direito internacional, marginaliza as Nações Unidas e mantém o rompimento com a Europa. O que está em jogo é o projeto kantiano de eliminação do estado de natureza entre os Estados. Os espíritos não se dividem em relação aos objetivos políticos que estão em primeiro plano, mas em relação a um dos maiores esforços para a civilização do gênero humano.”

“O retorno da geopolítica na Europa?”

Stefano Guzzini

O fim da Guerra Fria demonstrou a possibilidade histórica de mudança pacífica e aparentemente mostrou a superioridade das abordagens não realistas nas Relações Internacionais.

Contudo, no período seguinte, muitos países da Europa vivenciaram o renascimento de um campo claramente realista: a geopolítica. A geopolítica destaca, por um lado, a conexão entre política e poder; e, por outro, a relação entre território, localização e ambiente.

Este estudo comparativo mostra como o renascimento da geopolítica veio não apesar do fim da Guerra Fria, mas por causa dele. Desorientados pelos eventos de 1989 em sua autocompreensão e na concepção de seus papéis no cenário mundial, muitos atores da política externa europeus usaram o determinismo do pensamento geopolítico para encontrar rapidamente seu lugar na política mundial.

O autor desenvolve uma metodologia construtivista que permite estudar mecanismos causais, e sua abordagem comparativa permite uma ampla avaliação de algumas das dinâmicas fundamentais da segurança europeia.

“Globalização, democracia e ordem internacional”

Sebastião Carlos Velasco e Cruz

Os ensaios reunidos nesta obra abordam um conjunto de questões que vão da política externa brasileira à guerra do Iraque, das reformas econômicas à ordem internacional. Resultaram da confluência de dois movimentos profundos: a transição política do Brasil e os impasses da política industrial e um episódio histórico dramático, a crise internacional que se seguiu à invasão do Kuait pelo Iraque, em 1990, à coalizão gigantesca formada em torno dos Estados Unidos e ao espetáculo televisivo do bombardeio aéreo de Bagdá.

A primeira, de um ciclo de intervenções militares que vêm marcando, como um de seus sinais distintivos mais salientes, a ordem internacional pós-Guerra Fria, com a passividade da União Soviética diante de uma ação militar de legitimidade contestável em uma região crítica para seus interesses e a exibição mundial, pela tevê, do funcionamento de armas altamente sofisticadas como os mísseis balísticos, com sistemas informatizados de orientação. Também no plano das formas da guerra era o ingresso a um “mundo novo”.

“Ordem, poder e conflito no século XXI”

Luis Fernando Ayerbe

A radicalização de posições por parte do governo Bush não está associada ao abandono do consenso hegemônico, decorrente da aceleração de uma crise de caráter estrutural que impõe a dominação aberta como única alternativa.

A exacerbação do poder duro busca lidar preventivamente com fatores de instabilidade associados a uma conjuntura de transição entre a bipolaridade da Guerra Fria e a ordem em configuração. Apesar das controvérsias sobre o grau de autonomia dos Estados Unidos e dos métodos privilegiados no combate às ameaças, não se prevê qualquer mudança imediata ou de médio prazo na cúpula do poder.

Tanto a União Europeia quanto o Japão, a China e a Rússia trabalham pela acomodação de interesses diante da superioridade militar estadunidense, cuja equiparação exigiria esforços no momento impraticáveis, optando-se pelos ganhos econômicos que no futuro possam garantir maior projeção internacional.

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Fonte : CNN

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