A Inteligência Artificial está inaugurando a “onda de maior aumento de produtividade das nossas vidas – passado, presente e futuro”, disse Kevin Warsh, que foi indicado pelo presidente americano Donald Trump para a presidência do Fed no dia 30 de Janeiro.
A fala ocorreu durante uma entrevista em dezembro com Sadi Khan, empresário na área de fintechs. Warsh disse que a tecnologia de IA pode se provar “estruturalmente desinflacionária”, assim como a internet, sugerindo que o Fed tem um caminho claro para a redução da taxa de juros.
Se for confirmado como presidente do Fed pelo senado americano, Warsh será o chefe de um comitê de 12 pessoas que estabelece a taxa de juros no país.
O grupo têm se tornado polarizado nos últimos meses. Com cada integrante possuindo apenas um voto, é papel do presidente do Fed – que também possui um voto – formar o consenso sobre a taxa.
Warsh agora terá que convencer seus colegas do comitê – que têm se preocupado cada vez mais com a inflação – que a onda produtividade de IA será suficiente para justificar um corte de juros.
Porém, a maioria dos economistas têm alertado que ainda está cedo demais para afirmar aumento na produtividade via recursos de IA, e algumas autoridades têm sugerido que estas inovações não justificam taxas de juros menores.
O argumento da produtividade
De 2006 a 2011, Warsh integrou o Conselho de Governadores do Fed, onde ficou conhecido por seu posicionamento “Hawkish”, uma preferência para medidas que restrinjam a economia para tentar controlar a inflação.
Agora ele têm mudado sua postura, alinhando mais com o governo Trump. Além de favorecer o corte de juros, eles também acreditam que a economia americana se encontra no começo de um boom histórico de produtividade, impulsionado por tecnologias de inteligência artificial.
“É claro que estamos nos primeiros passos de um boom de produtividade, assim como houve nos anos 1990”, disse Scott Bessent, secretário do tesouro, à CNBC. O diretor do Conselho Econômico Nacional dos Estados Unidos (NEC), Kevin Hasset, também teve falas semelhantes às de Bessent.
Outros membros do Conselho de Governadores do Fed – como Cristopher Waller e Lisa Cook, assim como o próprio presidente da organização, Jerome Powell – chegaram à conclusão de que Inteligência artificial pode impulsionar produtividade significativamente.
Warsh tem argumentado que as autoridades do Fed deveriam dar o mesmo voto de confiança às tecnologias de IA que foi dado à internet durante a presidência de Alan Greenspan, e em torno buscar uma política monetária menos restritiva.
Durante sua entrevista em dezembro Warsh descreveu como Greenspan “acreditou, baseado em relatos e dados esotéricos, que não estávamos numa posição em que era necessário aumentar a taxa de juros” apesar de sinais que a economia estava crescendo.
“Como resultado tivemos uma economia mais forte, e preços mais estáveis”, disse Warsh.
Economistas dizem que produtividade é geralmente entendida melhor em retrospectiva, mas Greenspan concluiu que deveriam deixar a economia crescer porque relatos indicavam que a internet iria impulsionar aumento na produtividade.
“Reconhecer que a economia estava nos primeiros passos de um boom de produtividade ajudou a administração de Greenspan a segurar altas nas taxas de juros durante os anos 1990”, disse Michael Pierce, economista chefe dos Estados Unidos na Oxford Economics, via nota publicada nesta sexta-feira (13).
“Mas não foi usado como argumento para cortar a taxa de juros para um nível acomodativo”, acrescentou Pierce.
Uma venda difícil
Produtividade robusta abrindo caminho para menores custos de empréstimos pode ser uma ideia difícil de vender para autoridades do Fed.
A Presidente do Fed em Cleveland, Beth Hammack, que este ano vota na aprovação de medidas, disse em entrevista ao the Wall Street Journal que maior produtividade pode se tornar uma “taxa neutra de juros”, onde os custos de empréstimos não estimulam nem enfraquecem atividade econômica.
“Pode ser enviesado para mais, se a IA tiver um impacto material na produtividade”, disse Hammack, que também sinalizou preocupação com 2026 ser o quinto ano consecutivo de alta na inflação.
Um juros neutro maior indica que a economia consegue aguentar taxas de juros maiores, o que vai contra as demandas do Governo Trump de grandes reduções nas taxas atuais.
A presidente do Fed em Dallas, Lorie Logan, que também fará parte da votação este ano. Assim como Hammack, Logan é vista por economistas como hawkish, sugerindo que ela será contra redução de juros.
“A produtividade é uma força importante, mas também é um fenômeno imprevisível no mundo da economia”, disse Josh Jamner, analista sênior de estratégias de investimento na ClearBridge Investments. “Muitas pessoas comparam o que está acontecendo agora com os anos 1990, mas se você olhar para aquela época, também havia um grande crescimento na força de trabalho”.
“Agora temos uma população que está envelhecendo, e mudanças na política imigratória têm tornado o crescimento da força de trabalho difícil.”, adiciona Jamner, ele conclui que “há semelhanças com os anos 1990, mas também temos diferenças importantes”.
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Fonte : CNN