A embaixada iraniana na Espanha disse nesta quinta-feira (26) que o Irã seria receptivo a qualquer solicitação de Madri relacionada ao Estreito de Ormuz porque o país respeita a lei internacional, estabelecendo a primeira concessão do tipo oferecida a um Estado da União Europeia.
A Espanha tem uma frota mercante relativamente pequena, mas foi um dos primeiros países a condenar os ataques dos EUA e de Israel ao Irã, considerando a guerra imprudente e ilegal.
“NOTÍCIAS DE ÚLTIMA HORA: O Irã considera a Espanha um país comprometido com o direito internacional, por isso se mostra receptivo a qualquer pedido vindo de Madri. #EstreitoDeOrmuz”, disse a embaixada iraniana em um post na rede social X.
Na terça-feira (24), o Ministério das Relações Exteriores do Irã enviou uma nota à ONU, afirmando que “embarcações não hostis” poderiam transitar pelo estreito caso se coordenem com autoridades iranianas.
A guerra contra o Irã praticamente interrompeu o transporte de cerca de um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito do mundo através do estreito, causando interrupções no fornecimento de petróleo.
Um petroleiro tailandês navegou com segurança pelo estreito após a coordenação entre a Tailândia e o Irã, e o primeiro-ministro da Malásia disse nesta quinta-feira que as embarcações malaias também estavam sendo autorizadas a passar, em um sinal de que as restrições estavam diminuindo para alguns países após negociações diplomáticas.
O ministro das Relações Exteriores espanhol, José Manuel Albares, afirmou nesta quinta-feira que não entendeu a que o Irã se referia na publicação.
Ele disse que a Espanha tem votado de forma consistente a favor de sanções contra o Irã, incluindo a classificação da Guarda Revolucionária como organização terrorista.
“O que pedimos ao Irã e a todos aqueles que participam e promovem a guerra é desescalada, diplomacia e negociação, e que o Irã cesse seus ataques injustificados contra todos os países do Oriente Médio”, disse Albares durante visita à Argélia.
O que está acontecendo no Oriente Médio?
Os Estados Unidos e Israel estão em guerra com o Irã. O conflito teve início no dia 28 de fevereiro, quando um ataque coordenado entre os dois países matou o líder supremo do país, Ali Khamenei, em Teerã.
Diversas autoridades do alto escalão do regime iraniano também foram mortas. Além disso, os EUA alegam ter destruído dezenas de navios do país, assim como sistemas de defesa aérea, aviões e outros alvos militares.
Em retaliação, o regime dos aiatolás fez ataques contra diversos países da região, como Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Catar, Bahrein, Kuwait, Jordânia, Iraque e Omã. As autoridades iranianas dizem que têm como alvo apenas interesses dos Estados Unidos e Israel nessas nações.
Mais de 1.750 civis morreram no Irã desde o início da guerra, segundo a Agência de Notícias de Ativistas de Direitos Humanos, que tem sede nos EUA. A Casa Branca, por sua vez, registrou ao menos 13 mortes de soldados americanos em relação direta aos ataques iranianos.
O conflito também se expandiu para o Líbano. O Hezbollah, um grupo armado apoiado pelo Irã, atacou o território israelense em retaliação à morte de Ali Khamenei. Com isso, Israel tem realizado ofensivas aéreas contra o que diz ser alvo do Hezbollah no país vizinho. Centenas de pessoas morreram no território libanês desde então.
Com a morte de grande parte de sua liderança, um conselho do Irã elegeu um novo líder supremo: Mojtaba Khamenei, filho de Ali Khamenei. Especialistas apontam que ele não fará mudanças estruturais e representa continuidade da repressão.
Donald Trump mostrou descontentamento com essa escolha, a classificando como um “grande erro”. Ele havia dito que precisaria estar envolvido no processo e pontuou que Mojtaba seria “inaceitável” para a liderança do Irã.
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Fonte : CNN