Os ataques de drones lançados pelo Irã têm potencial para interromper o tráfego no estreito de Ormuz por meses. Mas saber por quanto tempo o país conseguiria manter uma campanha de mísseis é menos claro, segundo fontes de inteligência e analistas militares ouvidos pela Reuters.
Desde que Estados Unidos e Israel atacaram o Irã no sábado (28), o Teerã lançou centenas de mísseis e mais de 1.000 drones contra países do Golfo aliados de Washington.
A maior parte foi interceptada por sistemas de defesa aérea, mas prédios residenciais e comerciais, infraestrutura e bases militares norte-americanas sofreram danos.
De acordo com o Centro para Resiliência da Informação, grupo de pesquisa sem fins lucrativos financiado pelo Ministério das Relações Exteriores do Reino Unido, o Irã é um dos principais fabricantes de drones e tem capacidade industrial para produzir cerca de 10 mil unidades por mês.
Já o tamanho do arsenal de mísseis é incerto: estimativas vão de 2.500 unidades, segundo o exército israelense, a cerca de 6.000, de acordo com outros analistas.
Fechar o estreito de Ormuz, ponto de estrangulamento entre Irã e Omã, por onde passa cerca de um quinto do petróleo bruto e do gás natural liquefeito do mundo, é um dos principais objetivos declarados por Teerã. A navegação na rota foi praticamente paralisada após ataques iranianos a seis embarcações.
Os preços da energia reagiram: o petróleo Brent subiu 12%, e o gás natural europeu, referência no mercado, avançou cerca de 50% na semana.
“O Irã não vai se render fácil ou rapidamente; eles têm os meios para tornar o tráfego comercial pelo estreito de Ormuz inseguro”, afirmou Bob McNally, presidente do Rapidan Energy Group.
“Os EUA estão priorizando ataques às munições, bases e instalações iranianas que ameaçam o estreito. Mas tudo o que o Irã precisa fazer é demonstrar que consegue atingir alguns petroleiros e a preocupação cuidará do resto; as pessoas simplesmente não passarão”, acrescentou.
Para um ex-diretor da agência de inteligência britânica MI6, o suprimento de mísseis estratégicos é um ponto vulnerável. Ele avalia que a Rússia não teria condições de reabastecer o Irã e que a China seria cautelosa em fornecer equipamento militar, temendo a reação de países do Conselho de Cooperação do Golfo (CCG), que reúne Bahrein, Kuwait, Arábia Saudita, Catar, Omã e Emirados Árabes Unidos.
Uma segunda fonte de inteligência ocidental disse que os estoques iranianos podem ter sido reduzidos pelo envio de mísseis ao Hezbollah, no Líbano, e aos Houthis, no Iêmen.
Segundo a inteligência militar israelense, as reservas também diminuíram durante a guerra de 12 dias com Israel em junho, embora tenham sido parcialmente recompostas.
Outras limitações
Outra limitação apontada é o número de lançadores. Pesquisa do CIR (Instituto de Pesquisa Científica), do Reino Unido, indica que esses equipamentos foram reduzidos pela metade, ao menos, no último ano devido a ataques de Israel e dos EUA, e sofreram novas perdas nos últimos dias.
Apesar disso, analistas consideram provável que o Irã consiga sustentar uma campanha com drones.
A geração mais recente do Shahed-136 tem alcance estimado entre 700 e 1.000 quilômetros, suficiente para atingir qualquer ponto da costa sul do Golfo Pérsico quando lançado do território iraniano ou de embarcações, segundo Farzin Nadimi, pesquisador sênior do Instituto de Pesquisa Científica de Washington.
Muitos desses drones são produzidos em fábricas de uso dual, e outras instalações poderiam ser adaptadas para ampliar a produção, afirmou um analista do CIR.
De acordo com ele, 65 drones conseguiram penetrar nos sistemas de defesa aérea dos países do Golfo desde o início do conflito, atingindo centros de dados da Amazon, o Aeroporto Internacional de Dubai e um hotel da rede Fairmont, nos Emirados Árabes Unidos.
O Bahrein registrou danos em infraestrutura, em uma base naval dos EUA e em uma torre que abriga hotel e apartamentos.
Os negociadores de petróleo se preparam para novos aumentos de preços à medida que a duração da interrupção no estreito de Ormuz se torna mais clara.
“Estou muito preocupado, esse risco está atualmente subvalorizado nos mercados de petróleo”, disse um executivo sênior da Vitol, empresa global de negociação de commodities. “A teoria predominante é que o Irã está usando mísseis e drones antigos primeiro para esgotar as defesas aéreas. Se for esse o caso, sua resposta ainda não começou de fato.”
Caso os mísseis e drones se esgotem, Teerã ainda poderia recorrer a minas marítimas. Segundo a Dryad Global, empresa de inteligência de risco marítimo, o Irã tem estoque estimado entre 5.000 e 6.000 minas, que podem ser ancoradas ao fundo do mar, impulsionadas por foguetes ou deixadas à deriva.
source
Fonte : CNN