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A seleção do Irã segue com sua preparação para a Copa do Mundo e não pretende abandonar a disputa, mesmo diante da possibilidade de não viajar aos Estados Unidos. A declaração foi feita nesta quarta-feira (18) pelo presidente da federação iraniana de futebol, Mehdi Taj.

O Irã foi uma das primeiras seleções a garantir vaga no torneio, mas sua participação passou a ser questionada após o agravamento do conflito entre a República Islâmica e os Estados Unidos, iniciado no fim de fevereiro.

A Copa do Mundo será realizada entre 11 de junho e 19 de julho, com sedes nos Estados Unidos, México e Canadá.

A equipe iraniana, conhecida como Team Melli, está programada para disputar todas as partidas da fase de grupos em território norte-americano. No entanto, Taj afirmou na segunda-feira que a federação local negocia com a Fifa a transferência desses jogos para o México.

Como parte da preparação, o Irã enfrentará a Nigéria no dia 27 de março e a Costa Rica quatro dias depois, em Antalya, na Turquia, em um torneio amistoso com quatro seleções. A competição precisou ser transferida da Jordânia devido ao conflito no Oriente Médio.

“A seleção nacional está realizando um período de treinos na Turquia e também disputará dois amistosos no país”, afirmou Taj, em declaração divulgada pela agência Fars.

“Vamos boicotar os Estados Unidos, mas não vamos boicotar a Copa do Mundo”, acrescentou o dirigente.

Taj deu as declarações ao recepcionar, na fronteira com a Turquia, as jogadoras da seleção feminina iraniana, que retornaram ao país após uma longa viagem desde a Austrália.

A delegação feminina, que participou da Copa da Ásia, recebeu oferta de asilo do governo australiano por preocupações com a segurança no Irã. Sete integrantes aceitaram inicialmente, mas apenas duas permaneceram no país.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, havia incentivado a Austrália a conceder asilo às atletas e posteriormente afirmou que, embora a seleção masculina iraniana fosse bem-vinda para jogar no país, poderia não ser apropriado em termos de “vida e segurança”.

Trump ressaltou depois que eventuais ameaças aos jogadores não partiriam dos Estados Unidos, mas Taj — ex-integrante da Guarda Revolucionária do Irã — utilizou a declaração como argumento para solicitar a mudança do local das partidas.

A presidente do México, Claudia Sheinbaum, afirmou na terça-feira que o país está disposto a receber os jogos do Irã contra Nova Zelândia, Bélgica e Egito em junho. A decisão final, no entanto, cabe à Fifa.

Em nota, a entidade máxima do futebol informou que mantém diálogo com a federação iraniana, mas destacou que “espera que todas as seleções participantes disputem a competição conforme a tabela divulgada em 6 de dezembro de 2025”.

Já o presidente para a Ásia-Pacífico do sindicato internacional de jogadores, a FIFPRO, Beau Busch, afirmou que é dever da Fifa garantir a segurança de todos os envolvidos no torneio.

“A Fifa tem a responsabilidade institucional de proteger os direitos humanos”, disse Busch à Reuters.

“O fundamental é que a entidade realize uma avaliação abrangente de impacto em direitos humanos e assegure que todos os participantes da Copa do Mundo — jogadores e torcedores — estejam seguros, com quaisquer riscos devidamente identificados e mitigados.”

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Fonte : CNN

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