O Irã “em nenhuma circunstância desenvolverá uma arma nuclear”, mas também não abrirá mão de seu direito à tecnologia nuclear civil, afirmou o ministro das Relações Exteriores do país, Abbas Araghchi, antes da retomada das negociações com os Estados Unidos.
Em uma série de publicações no X, Araghchi disse que o país retomará as negociações em Genebra nesta semana, com base nos “entendimentos forjados na rodada anterior” e com o objetivo de alcançar um “acordo justo e equitativo” no menor tempo possível.
“Temos uma oportunidade histórica de firmar um acordo sem precedentes que atenda às preocupações mútuas e alcance interesses mútuos”, escreveu ele, acrescentando que “um acordo está ao nosso alcance, mas somente se a diplomacia for priorizada”.
Uma fonte disse à CNN nesta terça-feira (24) que a resposta iraniana aos EUA, que será apresentada aos mediadores de Omã, deverá defender o direito de Teerã de enriquecer urânio, propondo, ao mesmo tempo, limites aos níveis de enriquecimento.
O Irã insiste há muito tempo que seu programa nuclear se destina apenas a fins pacíficos e já afirmou que não pretende produzir uma arma.
Governos ocidentais suspeitam que seu programa civil esteja sendo usado como fachada e têm buscado garantias do país para comprovar suas intenções.
Os EUA e o Irã realizaram duas rodadas de negociações indiretas em Omã e na Suíça, e uma terceira rodada é esperada para esta quinta-feira (26).
Enquanto isso, a Guarda Revolucionária Islâmica do Irã realizou exercícios militares na costa sul do país mais cedo nesta terça, informou a emissora estatal iraniana Islamic Republic of Iran Broadcasting, enquanto os Estados Unidos avaliam ataques militares.
Entenda a tensão entre Irã e Estados Unidos
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a ameaçar um ataque militar contra o Irã caso o país não negocie um novo acordo nuclear que “seja justo com todas as partes”.
O líder americano disse que enviou uma “grande frota” para a região, incluindo o porta-aviões Abraham Lincoln e caças F-35.
Autoridades iranianas, por sua vez, refutaram a ideia de negociar sob ameaça dos Estados Unidos. O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, disse que conversas só poderão ocorrer “em condições em que ameaças e demandas sejam deixadas de lado”.
Araghchi também alertou que as Forças Armadas do Irã estão totalmente preparadas para responder “imediata e poderosamente” a qualquer agressão contra o território, o espaço aéreo ou as águas iranianas.
A escalada da tensão entre o Irã e os EUA neste ano teve início com a repressão aos protestos antigovernamentais no início de janeiro no país do Oriente Médio. A população iraniana se revoltou com a inflação desenfreada, tomando as ruas em manifestações contra o regime.
Trump alertou repetidamente que “atacaria com força total” se as autoridades iranianas reprimissem violentamente as manifestações, afirmando que o país estava “pronto e armado”.
Durante os protestos, um bloqueio de internet foi imposto no país e mais de 5 mil manifestantes foram mortos, segundo grupos de direitos humanos.
Ali Shamkhani, conselheiro do líder supremo do Irã, afirmou que qualquer ataque dos Estados Unidos seria considerado o “início de uma guerra”.
*com informações da Reuters
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Fonte : CNN