O embaixador do país na Arábia Saudita, Alireza Enayati, declarou neste domingo (15) que as relações de Teerã com os países do Golfo precisam ser “seriamente revistas” diante da guerra envolvendo Estados Unidos e Israel.
Em entrevista à agência Reuters, o diplomata disse que, apesar da tensão provocada pelo conflito, a convivência entre os países da região é inevitável. Segundo ele, a proximidade geográfica e os interesses comuns tornam necessário repensar a forma como as relações regionais são conduzidas.
“Somos vizinhos e não podemos viver sem uns aos outros; será preciso fazer uma revisão séria”, afirmou.
De acordo com Enayati, muitas das crises que marcaram o Oriente Médio nas últimas décadas são resultado de divisões internas entre os países da região e de uma dependência excessiva de potências externas.
Ele defendeu uma cooperação mais profunda entre os membros do Conselho de Cooperação do Golfo, além de Iraque e Irã.
Países do Golfo sofrem impactos da guerra
Desde o início do conflito, em 28 de fevereiro, países árabes do Golfo registraram mais de dois mil ataques com mísseis e drones. Entre os alvos estão missões diplomáticas e bases militares americanas, além de infraestruturas estratégicas como instalações petrolíferas, portos, aeroportos e áreas urbanas.
Os Emirados Árabes Unidos — que normalizaram relações com Israel em 2020 — estão entre os países mais atingidos pelos ataques. Ainda assim, toda a região tem sido afetada e governos do Golfo têm condenado Teerã.
Nos bastidores, analistas e fontes regionais apontam que também cresce o desconforto com os Estados Unidos, tradicional parceiro de segurança desses países.
Segundo essas avaliações, muitos governos da região consideram ter sido arrastados para um conflito que não apoiaram, mas cujas consequências econômicas e de segurança estão sendo obrigados a enfrentar.
Na Arábia Saudita, os ataques têm se concentrado principalmente na região leste, onde se encontra grande parte da produção de petróleo do país. Também foram citados incidentes próximos à base aérea Prince Sultan Air Base, que abriga tropas americanas, e na área diplomática de Riad.
Arábia Saudita e Irã retomaram relações diplomáticas completas em 2023, após anos de rivalidade e disputas indiretas em diferentes conflitos no Oriente Médio.
Irã nega responsabilidade por ataques a infraestrutura saudita
Enayati negou que o Irã esteja por trás de ataques contra instalações energéticas sauditas, como a refinaria de Ras Tanura Refinery e o campo petrolífero de Shaybah Oil Field, localizado no deserto próximo à fronteira com os Emirados Árabes Unidos.
Segundo o diplomata, Teerã não tem ligação com essas ações e afirmou que o país assumiria publicamente caso tivesse realizado tais operações.
“O Irã não é responsável por esses ataques e, se tivesse realizado, teria anunciado”, declarou.
O Ministério da Defesa saudita também não atribuiu oficialmente a autoria de incidentes específicos.
De acordo com Enayati, as operações iranianas estariam direcionadas apenas a alvos e interesses dos Estados Unidos e de Israel.
O embaixador acrescentou que mantém diálogo frequente com autoridades sauditas e disse que as relações bilaterais seguem avançando em diferentes áreas. Ele citou, por exemplo, a cooperação de Riad na assistência a cidadãos iranianos que estavam no país para peregrinação religiosa.

Diálogo regional e busca por saída para o conflito
Segundo Enayati, Teerã também tem mantido conversas com autoridades sauditas sobre a posição declarada de Riad de que seu território, espaço aéreo e águas não devem ser usados em ataques contra o Irã.
Para o diplomata, a guerra foi “imposta” ao Irã e ao conjunto da região. Na visão dele, uma solução para o conflito depende da interrupção das operações militares conduzidas por Estados Unidos e Israel.
Ele também defendeu que países da região não sejam envolvidos diretamente no confronto e que haja garantias internacionais para evitar novos episódios semelhantes no futuro.
“Somente então poderemos nos concentrar na construção de uma região próspera”, afirmou.
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Fonte : CNN