O Irã está buscando um acordo nuclear com os Estados Unidos que traga benefícios econômicos para ambos os lados, afirmou um diplomata iraniano neste domingo (15), dias antes da segunda rodada de negociações entre Teerã e Washington.
O Irã e os Estados Unidos retomaram as negociações no início deste mês para resolver a disputa de décadas sobre o programa nuclear iraniano e evitar um novo confronto militar. Os EUA enviaram um segundo porta-aviões para a região e estão se preparando para a possibilidade de uma campanha militar prolongada caso as negociações não sejam bem-sucedidas, disseram autoridades americanas à Reuters.
“Para que um acordo seja duradouro, é essencial que os EUA também se beneficiem em áreas com retornos econômicos altos e rápidos”, disse Hamid Ghanbari, vice-diretor de diplomacia econômica do Ministério das Relações Exteriores, segundo a agência de notícias semioficial Fars.
O Irã ameaçou retaliar contra qualquer ataque dos EUA, mas o representante oficial adotou um tom conciliatório no domingo.
“Interesses comuns nos campos de petróleo e gás, campos conjuntos, investimentos em mineração e até mesmo compras de aeronaves estão incluídos nas negociações”, disse Ghanbari, argumentando que o pacto nuclear de 2015 com as potências mundiais não garantiu os interesses econômicos dos EUA.
Em 2018, o presidente Donald Trump retirou os EUA do acordo que havia aliviado as sanções contra o Irã em troca de restrições ao seu programa nuclear e reimpôs as duras sanções econômicas contra Teerã.
Na sexta-feira (13), uma fonte disse à Reuters que uma delegação dos EUA, incluindo os enviados Steve Witkoff e Jared Kushner, se reuniria com autoridades iranianas em Genebra na terça-feira (17), reunião posteriormente confirmada à Reuters por um alto funcionário iraniano no domingo.
Embora as negociações que levaram ao acordo nuclear de 2015 tenham sido multilaterais , as negociações atuais estão restritas ao Irã e aos Estados Unidos, com Omã atuando como mediador.
Aberto a compromissos
O vice-ministro das Relações Exteriores, Majid Takht-Ravanchi, sinalizou a disposição do Irã em fazer concessões em seu programa nuclear em troca do alívio das sanções, declarando à BBC no domingo (15) que “a bola está com os Estados Unidos para provar que querem fechar um acordo”.
O alto funcionário se referiu à declaração do chefe da agência nuclear iraniana, feita na segunda-feira (9), de que o país poderia concordar em diluir seu urânio mais enriquecido em troca da suspensão das sanções, como um exemplo da flexibilidade do Irã.
No entanto, ele reiterou que Teerã não aceitaria o enriquecimento zero de urânio, um ponto crucial de discórdia em negociações anteriores, visto que Washington considera o enriquecimento dentro do Irã como um caminho potencial para armas nucleares. O Irã nega buscar tais armas.
Em junho, os EUA juntaram-se a Israel numa série de ataques aéreos que tiveram como alvo instalações nucleares iranianas.
Os Estados Unidos também estão intensificando a pressão econômica sobre o Irã. Em uma reunião na Casa Branca no início desta semana, Trump e o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, concordaram que os EUA trabalhariam para reduzir as exportações de petróleo do Irã para a China, informou o Axios no sábado.
A China representa mais de 80% das exportações de petróleo do Irã, portanto, qualquer redução nesse comércio diminuiria significativamente a receita petrolífera iraniana.
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Fonte : CNN