Uma investigação da PCERJ (Polícia Civil do Rio de Janeiro) identificou uma tentativa do CV (Comando Vermelho) de articular a criação de um “comando nacional do crime”, por meio de alianças com outras facções criminosas, incluindo o PCC (Primeiro Comando da Capital).
Segundo os investigadores, a iniciativa buscava estabelecer uma coordenação entre diferentes grupos criminosos que atuam em estados distintos, com acordos de cooperação e divisão de áreas de atuação.
De acordo com o delegado Pedro Cassundé, da Delegacia de Combate ao Crime Organizado e à Lavagem de Dinheiro, a facção vinha tentando formar essa articulação há algum tempo.
“Percebemos que o Comando Vermelho já vinha tentando, há algum tempo, coligar siglas diferentes para estabelecer um comando nacional de organização criminosa”, afirmou. Segundo ele, um acordo chegou a ser firmado em fevereiro de 2025.
“No dia 22 de fevereiro de 2025, eles efetivamente realizaram essa coligação, conseguiram selar um acordo de paz e ajuda mútua nas fronteiras do país”, disse o delegado.
O delegado explicou que, por envolver grupos distintos, a articulação enfrentou dificuldades internas e acabou se enfraquecendo após conflitos entre as próprias facções.
“A gente reconhece que eles entraram em conflitos. Os próprios diálogos e sanções aplicadas levaram a alguns homicídios, e isso acabou se diluindo”, afirmou. Apesar disso, o delegado afirma que a tentativa demonstra uma estratégia que pode voltar a ser adotada.
“Essa foi uma tentativa. Isso quer dizer que eles podem tentar de novo”, disse.
Segundo a investigação, a interlocução entre facções era feita por integrantes que ocupavam cargos específicos dentro da estrutura da organização. Um deles é Arnaldo da Silva Dias, conhecido como Naldinho ou Samurai, apontado como responsável por atuar como porta-voz e mediador de conflitos entre grupos criminosos em diferentes regiões do país.
Atualmente, ele está preso em um presídio federal em Catanduvas (SC).
As informações fazem parte das investigações da Operação Contenção Red Legacy, que também revelou a existência de um estatuto interno do CV e uma estrutura hierárquica formal da facção, com cargos definidos e um conselho nacional.
Comando Vermelho: como surgiu e se espalhou a maior facção do Rio
Segundo a Polícia Civil, o estatuto aponta o traficante Márcio dos Santos Nepomuceno, o Marcinho VP, como presidente do conselho da organização, mesmo após mais de três décadas preso em presídio federal.
Para o secretário de PCERJ, Felipe Curi, as investigações mostram o alcance e o nível de organização da facção.
“Nós temos provas de que o Comando Vermelho se aliou ao PCC e também a diversas outras facções criminosas atuantes em todo o país. Isso mostra a grande nocividade que essa facção tem”, afirmou.
Curi também defendeu que essas organizações sejam tratadas como grupos narcoterroristas.
“Trata-se de um grupo narcoterrorista. Insisto nisso porque ainda há autoridades e legisladores que se recusam a reconhecer o Comando Vermelho, o PCC e outras facções como organizações com esse caráter”, disse.
Segundo ele, a investigação também revelou conexões nacionais e internacionais da facção, além de um esquema complexo de lavagem de dinheiro, incluindo o uso de fintechs para movimentação de recursos.
A Operação Contenção Red Legacy também resultou na prisão do vereador Salvino Oliveira (PSD) e de seis policiais militares suspeitos de envolvimento com a organização criminosa.
A assessoria jurídica do parlamentar disse que aguarda esclarecimentos das autoridades para compreender os fatos. Já a PM, afirmou que “não tolera desvios de conduta ou crimes cometidos por seus integrantes” e que pune rigorosamente os responsáveis quando as irregularidades são comprovadas.
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Fonte : CNN