wp-header-logo-4373.png

Os discos de vinil estão em alta novamente, mas não são apenas os entusiastas de som ou os baby boomers nostálgicos os responsáveis por esse ressurgimento.

A geração Z está desempenhando um papel fundamental na revitalização das vendas de vinil, que cresceram em média 18% ao ano nos últimos cinco anos. Cerca de 60% da geração Z afirma comprar discos, de acordo com o relatório Audio Tech Lifestyles da Futuresource Consulting.

Mas as pessoas dessa faixa etária não estão necessariamente comprando discos pelo som (único, diga-se de passagem). Cerca de 40% dos compradores de discos nos Estados Unidos não possuem um toca-discos, apontou James Duvall, analista principal e chefe da área de entretenimento da Futuresource Consulting.

56% dos fãs da geração Z gostam de vinil pela estética, enquanto 37% o usam como decoração de casa, de acordo com uma pesquisa da Vinyl Alliance. Isso faz parte do que Jared Watson, professor assistente de marketing da Universidade de Nova York, chama de “consumo simbólico”.

“Pode mostrar que você é um fã maior ou que aprecia mais o artista”, destacou ele, acrescentando que os álbuns são “arte acessível”.

As variantes coloridas e exclusivas

O ressurgimento do vinil pode ser atribuído em grande parte à Taylor Swift, que promoveu os álbuns dela como verdadeiros itens colecionáveis ​​artísticos, às vezes incluindo músicas adicionais, pôsteres ou poemas para fãs.

E cada uma das versões é “uma peça diferente da história” que ela seleciona, o que “elevou o padrão para todos”, como as cantoras Lana Del Rey e Olivia Rodrigo, segundo Jeffrey Smith, vice-presidente de marketing da Discogs.com, um banco de dados e mercado para música.

Cinco dos álbuns de Swift estiveram entre os 10 álbuns de vinil mais vendidos no ano passado nos EUA, de acordo com o relatório de 2024 do grupo de pesquisa de entretenimento Luminate.

Isso inclui “The Tortured Poets Department”, que vendeu 1,48 milhão de cópias, conforme informações da Luminate, e “Midnights”, que vendeu 188 mil cópias. Swift atualmente vende quatro variantes de “Midnights” em seu site nos EUA. Quando as partes de trás das quatro capas são colocadas juntas, elas formam um relógio.

Erin Davila, de 28 anos, de Orlando, Flórida, disse que talvez compre uma das variantes de Swift, mas que, no fim das contas, prefere discos com a capa tradicional do álbum.

Davila começou a colecionar discos no ensino médio, quando o ato de colecionar era popular no Tumblr.

“O disco físico era quase como um troféu da música que você ama, simplesmente ali na sua estante”, ela compartilhou.

Davila programou alarmes para os lançamentos em vinil de Taylor Swift, Sabrina Carpenter e Kacey Musgraves, enquanto o marido, Peyton, programou um alarme para o lançamento em vinil do The Weeknd. A coleção conjunta deles soma quase mil discos.

Os Davilas estão entre os jovens adultos que postam nas redes sociais sua coleção de vinil e os discos que decoram suas paredes.

Dexter Phuong, um criador de conteúdo e coordenador de mídias sociais de 25 anos na Carolina do Norte, também usa vinil como decoração de parede, trocando os álbuns de acordo com a estação do ano. Durante o outono, ele pode colocar, por exemplo, o álbum “Red” da Taylor Swift ou uma versão da Phoebe Bridgers que combine com a estética laranja e verde da estação.

Phuong diz que possui quase todos os vinis da Lana Del Rey, incluindo cerca de 10 versões diferentes do último álbum da artista.

“Na verdade, não ouço muito as versões diferentes, a menos que tenham uma faixa bônus”, afirmou ele à CNN. “Normalmente, guardo-as como objetos de arte”, revelou.

Compras intencionais

Os jovens da geração Z apreciam pequenos prazeres — seja um café superfaturado, roupas ou um ingresso para um show, comentou Watson, da NYU. Ele explicou que isso se deve, em grande parte, ao fato de que marcos importantes — como comprar uma casa ou casar — ​​foram adiados, fazendo com que os jovens adultos busquem gratificação em outros lugares.

“Existe essa ideia de dizer: ‘Por que não podemos nos presentear hoje com pequenos prêmios?’. É aí que vemos um crescimento no mercado de itens colecionáveis”, concluiu ele.

Algumas pessoas estão dedicando mais tempo comparando preços de diferentes vendedores ou comprando cada vez mais em lojas de discos locais em busca do melhor custo-benefício. Uma loja de discos local pode evitar que elas paguem o preço de varejo de um vinil, que custa em média US$ 33, mas pode chegar a US$ 70 para edições limitadas.

É o caso de Tony Baker, um jovem de 27 anos de Orlando, que disse que compra qualquer disco pelo preço certo e “resolve o resto depois”. Ele comprou o álbum autointitulado de Toni Braxton por US$ 100, o máximo que está disposto a pagar no momento.

Recentemente, Baker publicou um vídeo no TikTok mostrando sua coleção de vinil, com mais de 20 álbuns, alguns com preços chegando a US$ 42.

Segundo Smith, do Discogs, um disco em estado quase perfeito é vendido no site por cerca de US$ 15, em média, ou seja, 45% abaixo do preço de varejo.

“Entrar em uma loja, comprar um disco e vasculhar o mercado, encontrando algo com mais de 70% de desconto, pode ser uma grande vantagem”, destacou Smith.

Independentemente de escutarem o disco ou não, Watson afirmou que a geração Z tende a encontrar valor sentimental em comprar discos em brechós, que têm a “essência” de já terem tido um dono, além do benefício ambiental de evitar o consumo excessivo.

Peyton Davila, colecionador de vinil, comparou a compra de discos em lojas locais por apenas US$ 5 com a compra de roupas em brechós.

“Você está sendo mais sustentável e não contribuindo para o excesso de discos que são prensados ​​em excesso”, disse.

source
Fonte : CNN

Destaques Informa+

Relacionadas

Menu