Segundo pessoas familiarizadas com as mensagens indiretas, a inteligência iraniana enviou uma mensagem aos Estados Unidos informando que poderia estar preparada para iniciar negociações sobre como pôr fim à guerra.
No entanto, autoridades americanas afirmam que não há negociações em andamento e que possíveis “saídas” dificilmente se concretizarão em curto prazo.
As mensagens foram transmitidas à CIA (Agência Central de Inteligência) por meio de um terceiro país, disseram pessoas familiarizadas com o assunto. Mas, até o momento, não parece que esse canal tenha resultado em discussões sérias sobre como pôr fim à guerra.
Em vez disso, autoridades americanas descreveram a entrada em uma nova fase, mais intensiva, da operação conjunta com Israel para enfraquecer o programa de mísseis do Irã e garantir que o país não consiga obter uma arma nuclear.
O secretário de Defesa, Pete Hegseth, afirmou durante uma coletiva de imprensa na quarta-feira que os EUA estavam “apenas começando”. E parlamentares que foram informados pelo governo na terça-feira sobre o Irã disseram não ter ouvido falar de um objetivo final específico, incluindo possíveis esforços diplomáticos.
Os líderes iranianos, por sua vez, não demonstraram publicamente disposição para negociar, visto que suas fileiras estão cada vez mais reduzidas em consequência dos ataques israelenses.
Contudo, as mensagens, ainda que preliminares, sugerem que existe um caminho possível para negociar o fim da guerra. A CNN entrou em contato com a CIA para obter comentários. O New York Times foi o primeiro a noticiar as mensagens vindas do Irã.
Autoridades americanas insistem que não mantêm conversas — nem diretamente, nem por meio de terceiros — com os iranianos desde que as negociações nucleares fracassaram dias antes do início da guerra. No entanto, receberam mensagens de outros países oferecendo ajuda para apaziguar o conflito.
“Desde que isso se tornou um problema real, recebemos vários contatos”, disse um alto funcionário do governo Trump na terça-feira, elevando o número de nações envolvidas para quase uma dúzia. “Não é muito diferente do que aconteceu antes: pessoas querendo ver se podem ajudar a resolver o problema, e nós conversamos com elas.”
Até o momento, isso não resultou em nenhuma troca substancial de mensagens entre os Estados Unidos e o Irã. Steve Witkoff, o enviado diplomático do presidente que liderou três rodadas de negociações com o Irã antes de Trump ordenar os ataques, não entrou em contato com o ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, com quem já havia trocado mensagens de texto.
Witkoff também não conversou com o principal oficial de segurança nacional do Irã, Ali Larijani, disse o alto funcionário do governo.
“Não estamos usando ninguém como interlocutor. Esta é uma ação militar e precisa seguir seu curso”, disse o oficial.
E o vice-ministro das Relações Exteriores do Irã afirmou na quarta-feira que nenhuma mensagem está sendo enviada aos Estados Unidos.
“Não enviamos nenhuma mensagem aos americanos porque estamos nos defendendo”, disse Majid Takht-Ravanchi à MS Now. “Estamos em modo defensivo. E o que estamos fazendo é nos proteger, nos defender. Portanto, nenhuma mensagem está sendo enviada e não recebemos nenhuma mensagem dos Estados Unidos nem de ninguém.”
Ainda assim, nos bastidores, muitos funcionários se perguntavam se um possível acordo poderia ser firmado para pôr fim ao conflito, atendendo a todas as condições de Trump: que o Irã desmantelasse seus programas nucleares e de mísseis e encerrasse seu apoio a grupos armados aliados no Oriente Médio.
Não está claro quem, exatamente, concordaria com isso por parte do Irã. A liderança do país permanece instável após a morte, no fim de semana, do Líder Supremo, Aiatolá Ali Khamenei.
“As pessoas que tínhamos em mente estão mortas”, reconheceu Trump sem rodeios na terça-feira sobre sua visão para a futura liderança iraniana. “Agora temos outro grupo. Eles também podem estar mortos, de acordo com relatos. Então, acho que teremos uma terceira onda chegando. Em breve, não conheceremos mais ninguém.”
Enquanto os clérigos iranianos se reúnem para escolher um novo líder supremo, Israel prometeu assassinar qualquer pessoa que substitua Khamenei.
“Todo líder nomeado pelo regime terrorista iraniano para dar continuidade e liderar o plano de destruição de Israel, para ameaçar os Estados Unidos, o mundo livre e os países da região, e para oprimir o povo iraniano, será um alvo inequívoco para eliminação”, escreveu o ministro da Defesa israelense, Israel Katz, nas redes sociais.
Por sua vez, Trump tem demonstrado opiniões contraditórias sobre sua disposição em dialogar com o Irã. Ele declarou à revista The Atlantic, no domingo, que pretendia conversar com os novos líderes iranianos.
“Eles querem conversar, e eu concordei em conversar, então vou conversar com eles”, disse ele. Um dia depois, Trump publicou que os iranianos “querem conversar. Eu disse: ‘Tarde demais!’”.
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Fonte : CNN