O avanço da inteligência artificial voltou a trazer à tona um antigo temor: o impacto da tecnologia no mercado de trabalho. Desde 2022, quando houve o ‘boom’ da IA com o lançamento do ChatGPT, cresce a discussão sobre até que ponto essas ferramentas podem substituir parte das funções hoje desempenhadas por humanos.
A pauta voltou para os holofotes recentemente quando a empresa norte-americana Block, companhia de pagamentos fundada por Jack Dorsey, demitiu cerca de 4 mil funcionários — equivalente a 40% de seu quadro — em meio à aposta em ferramentas de IA.
Este e outros assuntos da economia serão abordados no programa e na News da Resenha, newsletter para manter os investidores informados e ajudar na tomada de melhores decisões no mercado.
Segundo o CEO, que também foi cofundador do Twitter, a substituição dos colaboradores não foi motivada por dificuldades financeiras, mas sim por uma estratégia diante da evolução tecnológica e das novas possibilidades trazidas pela automação, que devem trazer maior produtividade e eficiência.
Para Thiago Godoy, apresentador do Resenha do Dinheiro, a decisão remonta à revolução industrial, quando os trabalhadores braçais foram substituídos por máquinas.
“Estamos no meio de uma revolução da inteligência artificial que pode ser tão grande — ou até maior — do que a Revolução Industrial. Naquela época, máquinas substituíram o trabalho físico; agora começamos a ver a substituição da própria inteligência humana em algumas funções”, disse Godoy, também conhecido como Papai Financeiro.
No dia seguinte após o anúncio das demissões, as ações da Block subiram 20%.
Para Thiago, o motivo dessa alta é claro: o mercado enxerga mais produtividade e menos custo fixo.
Para além das demissões na empresa norte-americana, o fosso da IA pode estar próximo.
2028, o ano da crise da inteligência humana
Um relatório divulgado pela Citrini Research mexeu com os mercados ao fazer a previsão de que o avanço acelerado da inteligência artificial pode desencadear uma nova crise econômica no fim da década.
Intitulado “A Crise de Inteligência Global de 2028”, a casa de análise traz perspectiva de que o “prêmio” pago ao trabalhador intelectual dos humanos seria reduzido.
De acordo com eles, a rápida adoção da tecnologia pode provocar um choque no mercado de trabalho, com ganhos de produtividade muito superiores à capacidade da economia de absorver trabalhadores deslocados. Esse desequilíbrio poderia pressionar o consumo, aumentar tensões sociais e até gerar turbulências nos mercados até 2028. No cenário traçado, a taxa de desemprego nos Estados Unidos sobe para 10,2% em 2028. O S&P 500 teria queda de 38% no auge da crise.
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Para Marília Fontes, também apresentadora do Resenha do Dinheiro, o avanço da inteligência artificial — e seus possíveis impactos sobre o mercado de trabalho — já influencia diretamente a precificação das ações, especialmente nos Estados Unidos.
“O mercado já está precificando um cenário em que os custos operacionais das empresas tendem a cair ao longo do tempo, com demissões, aumento de produtividade e menor necessidade de novas contratações. Por isso, as ações de empresas de tecnologia vêm se destacando nas bolsas”, afirmou durante a primeira edição do programa.
Resenha do Dinheiro
A Resenha do Dinheiro chega com a proposta de deixar o “economês” mais fácil e aproximar o mercado financeiro do público.
O programa vai abordar as principais notícias e movimentos da economia com a leveza de uma conversa informal — como uma resenha entre amigos, num café, ou após o futebol — mas sem perder a análise e o conteúdo.
A Resenha do Dinheiro vai ao ar todas as sextas-feiras, às 19h, no canal do CNN Money no YouTube.
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Fonte : CNN