O Irã emitiu um alerta para operadores do setor hoteleiro em todo o Oriente Médio, alegando que hotéis e outras instalações civis usadas para abrigar militares americanos podem ser considerados “alvos legítimos de defesa” caso essa atividade continue.
A agência de notícias semioficial iraniana Fars, citando “fontes informadas”, afirmou que os locais usados por militares americanos “não se limitam” ao Bahrein e aos Emirados Árabes Unidos.
A agência alegou que locais alternativos de acomodação para forças estrangeiras foram identificados em outras partes da região, incluindo Síria, Líbano e Djibuti.
As fontes citadas pela Fars, que é próxima à Guarda Revolucionária Islâmica, disseram que o alerta do Irã aos operadores de hotéis é “abrangente e definitivo”.
A agência afirmou que qualquer instalação que abrigue militares estrangeiros — “independentemente de sua localização geográfica” — será tratada como um alvo legítimo caso a suposta atividade não seja interrompida imediatamente.
Nesta quinta-feira (26), o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou em uma publicação na rede social X que tropas americanas deixaram bases militares em países árabes do Golfo Pérsico pertencentes ao CCG (Conselho de Cooperação do Golfo) e estão se hospedando em hotéis e escritórios.
“Desde o início desta guerra, soldados americanos fugiram de bases militares no CCG para se esconder em hotéis e escritórios”, escreveu Araghchi, alegando que as forças americanas estão usando “cidadãos do CCG como escudos humanos”. Ele pediu que hotéis nos países do Golfo negassem reservas a militares americanos.
A CNN não conseguiu verificar de forma independente as alegações da reportagem da Fars nem as declarações de Araghchi. Autoridades americanas e do CCG não se manifestaram publicamente.
O que está acontecendo no Oriente Médio?
Os Estados Unidos e Israel estão em guerra com o Irã. O conflito teve início no dia 28 de fevereiro, quando um ataque coordenado entre os dois países matou o líder supremo do país, Ali Khamenei, em Teerã.
Diversas autoridades do alto escalão do regime iraniano também foram mortas. Além disso, os EUA alegam ter destruído dezenas de navios do país, assim como sistemas de defesa aérea, aviões e outros alvos militares.
Em retaliação, o regime dos aiatolás fez ataques contra diversos países da região, como Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Catar, Bahrein, Kuwait, Jordânia, Iraque e Omã. As autoridades iranianas dizem que têm como alvo apenas interesses dos Estados Unidos e Israel nessas nações.
Mais de 1.750 civis morreram no Irã desde o início da guerra, segundo a Agência de Notícias de Ativistas de Direitos Humanos, que tem sede nos EUA. A Casa Branca, por sua vez, registrou ao menos 13 mortes de soldados americanos em relação direta aos ataques iranianos.
O conflito também se expandiu para o Líbano. O Hezbollah, um grupo armado apoiado pelo Irã, atacou o território israelense em retaliação à morte de Ali Khamenei. Com isso, Israel tem realizado ofensivas aéreas contra o que diz ser alvo do Hezbollah no país vizinho. Centenas de pessoas morreram no território libanês desde então.
Com a morte de grande parte de sua liderança, um conselho do Irã elegeu um novo líder supremo: Mojtaba Khamenei, filho de Ali Khamenei. Especialistas apontam que ele não fará mudanças estruturais e representa continuidade da repressão.
Donald Trump mostrou descontentamento com essa escolha, a classificando como um “grande erro”. Ele havia dito que precisaria estar envolvido no processo e pontuou que Mojtaba seria “inaceitável” para a liderança do Irã.
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Fonte : CNN