Antes de matar a facadas a ex-companheira Cibele Monteiro Alves, de 22 anos, dentro de um shopping no ABC Paulista no último dia 25 de fevereiro, Cássio Henrique da Silva Zampieri já acumulava um histórico de ameaças e agressões contra ela.
Segundo relatos de pessoas próximas à vítima, ele teria vazado imagens íntimas da jovem, feito ameaças por meio de transferências bancárias e intensificado a perseguição após o fim do relacionamento.
De acordo com uma amiga de Cibele, o suspeito passou a compartilhar fotos da jovem com lojas do shopping onde ela trabalhava e até com a franqueadora da marca em que era vendedora, com a intenção de prejudicá-la profissionalmente e provocar sua demissão.
A empresa, no entanto, não cedeu à pressão e orientou que qualquer recebimento do material fosse denunciado. Após isso, não satisfeito, Cássio agravou as ameaças contra Cibele.
Em um print cedido pela TV SBC, mostra uma transferência via Pix no valor de R$ 0,01, com Cássio escrevendo na descrição: “Já que você paga para ver, então amanhã tem mais”, em referência às imagens íntimas. Segundo relatos, ele chegou a ameaçar imprimir as fotos e compartilha-las pela região.

Histórico de violência e medida protetiva
O feminicídio causado por ele no último dia 25 de fevereiro, teria sido motivado pela inconformidade do suspeito com o término do relacionamento, ocorrido há cerca de nove meses, em abril de 2025.
Por esse motivo, a vítima já havia registrado três boletins de ocorrência contra ele e obtido uma medida protetiva, que o proibia de manter contato, mas mesmo assim ele não parou.
Segundo pessoas próximas a ela, o relacionamento, iniciado em 2019, sempre foi marcado por episódios de violência. Em 2023, Cibele registrou uma ocorrência após ser agredida e ter o celular quebrado pelo então companheiro.
Cibele só conseguiu encerrar definitivamente o relacionamento em abril de 2025, cerca de nove meses antes do crime. Ainda assim, ele continuava a persegui-la.
A família e as amigas retratam o caso como “um descaso das autoridades”.
“Eu sempre apareço”: perseguição após o término
Após o fim do relacionamento, o suspeito teria passado a aparecer com frequência em frente à casa da vítima e na portaria do prédio onde ela morava.
Em mensagens enviadas a uma amiga, Cibele descreveu um dos episódios: “Parece cena de filme de terror, é sério”.
Em junho de 2025, ela relatou ter acionado a polícia ao perceber a presença dele nas proximidades: “Ainda não chegaram. Se ele tivesse entrado, eu já tinha morrido”, disse em outra mensagem.

Mesmo bloqueado, Cássio conseguia novos números para manter contato com a vítima.
Em uma mensagem enviada por volta das 2h da manhã, ele escreveu: “Não sei para que esse negócio de ficar me ignorando. Eu sempre apareço. Ainda mais agora que achei uma forma de ter número infinito para o WhatsApp. Se você me bloquear, em 20 minutos te chamo com outro. Vai ficar bloqueando infinitamente”.

Ataque dentro do shopping
O crime ocorreu em 25 de fevereiro, dentro da loja onde Cibele trabalhava. Segundo o registro policial, o homem entrou armado com uma faca e uma arma de airsoft, rendeu a ex-companheira e a atacou no pescoço.
Equipes das polícias Militar e Civil foram acionadas e encontraram o agressor mantendo a vítima sob ameaça.
De acordo com a Secretaria da Segurança Pública, houve tentativa de negociação, mas o suspeito teria apontado a arma em direção aos policiais. Diante da ameaça, os agentes intervieram e o balearam.
Um vídeo registra parte da negociação conduzida por um policial à paisana, que tenta convencer o agressor a se render.
Nenhum policial ficou ferido. Cibele e o agressor foram socorridos em estado grave por equipes de resgate e pelo Samu.
A morte da jovem foi confirmada posteriormente. O suspeito foi encaminhado sob custódia ao Hospital Estadual Mário Covas.
“Eu matei a Cibele”
Após o crime, o homem chegou a fazer uma videochamada e descrever o crime a um grupo de amigos. Na gravação, afirma que teria “se segurado ao máximo” para evitar o ocorrido e, em seguida, admite: “Eu matei a Cibele”.
O caso é tratado como feminicídio pela Polícia Civil de São Paulo.
A CNN Brasil não encontrou a defesa de Cássio para um pronunciamento. O espaço segue aberto.
*Sob supervisão de AR.
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Fonte : CNN