A “head of tax” do Carrefour, Luciene Petroni Castro Neves, é um dos alvos da “Operação Fisco Paralelo”, deflagrada pelo MPSP (Ministério Público do Estado de São Paulo), na manhã desta quinta-feira (26), contra um esquema de corrupção e fraudes tributárias no estado. Segundo o MP, a mulher exerce a função de executiva máxima responsável pela gestão fiscal da empresa.
Com base na denúncia do órgão, as investigações identificaram um “intenso contato” entre Luciene e Artur Gomes da Silva Neto, um auditor fiscal de rendas apontado como articulador central da organização criminosa.
Na ação desta quinta, Luciene é alvo de um mandado de busca e apreensão.
Mensagens interceptadas pelo Ministério Público mostraram que o fiscal ajudava a executiva em pedidos de ressarcimento do imposto ICMS-ST do Carrefour. As reuniões para tratar dos interesses da empresa foram classificadas pelos investigadores como uma “atitude absolutamente descabida” para um auditor público.
Além disso, as investigações apontam que o Carrefour recebia uma espécie de “tratamento privilegiado”, com deferimento de créditos tributários, que segundo o MP, estariam em desacordo com a lei.
Em outra troca de mensagens, um gerente tributário da empresa, comandado por Luciene, solicitou uma reunião com Artur para discutir as “expectativas” do agente público. O detalhe, para os investigadores, sugere o pagamento de propina.
De acordo com o MP, um “head of tax” como Luciene é o profissional encarregado do planejamento tributário, compliance e estratégia tributária da organização.
Desdobramento da Operação Ícaro
A “Operação Fisco Paralelo”, que cumpre 22 mandados de busca e apreensão em diversas cidades de São Paulo, é um desdobramento da “Operação Ícaro”, que teve como principal alvo o dono da Ultrafarma, Sidney Oliveira.
Segundo o MP, o esquema funcionava por meio da manipulação de procedimentos fiscais para agilizar e aumentar créditos de ICMS devidos a empresas, mediante o pagamento de vantagens ílicitas calculadas sobre o montante recuperado.
Além do Carrefour, outras grandes empresas como Kalunga, Casas Bahia, Caoa e Posto Ipiranga também são citadas.
A CNN Brasil procurou as empresas para um posicionamento e aguarda retorno. Além disso, tenta localizar a defesa dos investigados nomeados. O espaço está aberto para manifestações.
O que dizem as empresas
Casa Bahia:
“O Grupo Casas Bahia esclarece que não foi notificado por qualquer autoridade competente sobre investigação envolvendo a Companhia em relação aos fatos narrados pela imprensa.
A Companhia também desconhece qualquer relação entre ela e seus colaboradores, não havendo qualquer indício de irregularidades em seus procedimentos internos.
A empresa permanece à disposição das autoridades competentes para colaborar integralmente com eventuais investigações, nos termos da lei. Por fim, reforça seu compromisso com elevados padrões de governança e compliance, adotando controles rigorosos e contínuos para assegurar a integridade de suas operações.”
Posicionamento da Secretaria da Fazenda
Em nota, a Secretaria da Fazenda e Planejamento de SP informou que colabora com as investigações e que 33 procedimentos administrativos estão em andamento para apurar a conduta de servidores, o que pode resultar em demissões.
Veja nota na íntegra:
“A Secretaria da Fazenda e Planejamento do Estado de São Paulo informa que a Corregedoria da Fiscalização Tributária (Corfisp) atua em conjunto com o Ministério Público, colaborando com todas as investigações do órgão. A pasta reafirma seu compromisso com a ética, a justiça fiscal e a apuração rigorosa de eventuais irregularidades, nos termos da lei. Atualmente, estão em andamento 33 procedimentos administrativos para apurar possíveis irregularidades envolvendo servidores, que podem resultar em sanções, inclusive demissão.
A Sefaz-SP também atua de forma integrada e com rigor no combate à sonegação, à lavagem de dinheiro e a crimes contra a ordem tributária, por meio do Comitê Interinstitucional de Recuperação de Ativos (CIRA-SP).”
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Fonte : CNN