wp-header-logo.png

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, deixa nesta quinta-feira (19) o comando da pasta após mais de três anos de gestão, deixando o posto para seu atual secretário-executivo, Dario Durigan.

A gestão de Haddad à frente da equipe econômica termina com a economia aquecida e desemprego nas baixas históricas. Porém, o custo foi alto, com o país registrando as taxas de juros mais elevadas em quase duas décadas e uma deterioração fiscal crescente.

A dívida pública do país cresceu de 71,4% do PIB (Produto Interno Bruto) em janeiro de 2023 para 78,7% em janeiro deste ano. Segundo projeções do Tesouro Nacional, o rombo deve seguir em trajetória de alta nos próximos anos. Em valor bruto, a dívida pública federal encerrou 2025 em R$ 8,6 trilhões e avançou a R$ 8,641 trilhões em janeiro.

O novo arcabouço fiscal desenhado pelo governo para conter a alta dos gastos públicos falhou na opinião de economistas e do mercado. Em setembro, o próprio ministro afirmou que as regras precisam de “ajustes”, e pediu ajuda ao Congresso. Em dezembro, ressaltou que discutir parâmetros do arcabouço “é uma coisa que vai acontecer”.

Haddad mantém a defesa do arcabouço para as contas públicas, mas, ao ser questionado sobre o peso dos benefícios sociais, afirmou que o país poderia reformulá-los.

Sobre a alta da dívida pública, o ministro atribui o movimento principalmente ao nível de juros no país, que eleva o custo de rolagem da dívida, e também à herança fiscal que recebeu do governo do ex-presidente Jair Bolsonaro.

A saída deve ser concretizada em evento na noite desta quinta no Sindicato dos Metalúrgicos, em São Bernardo do Campo (SP), onde Haddad deve apresentar, ao lado de Lula, candidatura ao governo de São Paulo para as eleições deste ano. A seguir, relembre a trajetória de Haddad na Fazenda.

Passagem pela Fazenda

Diante da alta dependência de medidas arrecadatórias para que o regramento se sustentasse, característica criticada por agentes de mercado, Haddad colocou o combate a benefícios tributários como prioridade de sua gestão, propondo também uma série de elevações de impostos.

À frente do Ministério da Fazenda, o ex-prefeito de São Paulo também conseguiu aprovar propostas importantes, como a reforma tributária e a isenção do imposto de renda para quem ganha até R$ 5 mil.

Nos primeiros meses à frente do Ministério da Fazenda, Fernando Haddad conseguiu aprovar junto ao Congresso Nacional o novo arcabouço fiscal. Sob a nova regra, a equipe econômica fechou os anos de 2024 e 2025 dentro da meta fiscal, com déficit zero.

O primeiro ano de gestão de Haddad na Fazenda também foi marcado pela criação do programa Remessa Conforme, popularmente conhecido como “taxa das blusinhas”. A iniciativa regulamentou a cobrança de ICMS e de imposto de importação sobre as compras internacionais de até US$ 50.

Ainda em 2023, o então ministro obteve aprovação da reforma tributária, a qual estava sendo discutida há mais de 40 anos no Brasil. A regulamentação do texto também recebeu aval dos deputados e senadores no terceiro mandato de Lula.

No lado social, Haddad implementou o programa de renegociação de dívidas batizado de “Desenrola Brasil”. De julho de 2023 a março de 2024, a iniciativa beneficiou 15 milhões de pessoas e renegociou R$ 53,2 bilhões em dívidas.

Sob o comando de Haddad, o Ministério da Fazenda também gestou a isenção do imposto de renda para quem ganha até R$ 5 mil. Em vigor desde 1° de janeiro de 2026, a proposta estabelece um imposto progressivo, partindo de 0% e chegando a 10%, para rendimentos acima de R$ 1,2 milhão por ano, incluindo dividendos, como forma de compensação.

Crise do Pix, IOF e taxação dos “super-ricos”

Nos mais de três anos de atuação, ele conseguiu aprovar cortes da desoneração da folha salarial de setores da economia e de benefícios ao setor de eventos criados durante a pandemia e, mais recentemente, uma redução linear de incentivos tributários não constitucionais.

Sob seu comando, ainda foram criadas ou elevadas taxações sobre combustíveis, apostas esportivas, compras internacionais, fundos exclusivos e offshore, veículos elétricos, fintechs e Juros sobre Capital Próprio (JCP), entre outros.

Em uma agenda mais modesta de corte de gastos, foram revisados critérios de benefícios sociais e do abono salarial. Também foi criada uma trava para o crescimento real do salário-mínimo, que havia sido turbinado anteriormente pelo próprio governo de Lula.

Durante sua gestão, Haddad defendeu a tributação dos chamados super-ricos, a qual passou a se referir como “andar de cima”. Além da criação do imposto mínimo de até 10%, a equipe econômica elevou as alíquotas do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) para cumprir a meta fiscal.

A mudança nas alíquotas do IOF, em maio de 2025, gerou um mal-estar com o Congresso Nacional e o mercado financeiro. A recepção negativa causou um vaivém de decretos, o que culminou em uma crise.

Sem um consenso entre os poderes, o Supremo Tribunal Federal determinou o retorno da eficácia do decreto que aumentou a alíquota do IOF, mas retirou a vigência do imposto sobre o risco sacado.

No comando do Ministério da Fazenda, Haddad também mediou a crise do Pix. No início de 2025, a Receita Federal publicou instrução normativa que ampliava o monitoramento de operações financeiras. No entanto, o governo precisou recuar depois que a medida passou a ser alvo de fake news.

source
Fonte : CNN

Destaques Informa+

Relacionadas

Menu