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O GPA, responsável pela rede de supermercados Pão de Açúcar, entrou em contato com fornecedores para explicar a série de notícias que apontam para uma crise no grupo.

Na carta à qual o CNN Money teve acesso, o CEO do GPA, Alexandre Santoro, busca acalmar os parceiros afirmando que as dívidas serão renegociadas diretamente com os bancos, conforme afirmado na semana passada, e não com os fornecedores.

“As referências feitas na conferência de resultados relacionadas a ‘negociações’ dizem respeito exclusivamente às tratativas para reperfilamento de parte da dívida financeira da Companhia, conduzidas junto a instituições financeiras e credores bancários, com foco nos vencimentos previstos para 2026. Essas conversas têm ocorrido de forma estruturada e dentro da normalidade de processos dessa natureza”, diz o texto.

“Não há qualquer iniciativa envolvendo fornecedores operacionais nesse processo. As relações comerciais com nossos parceiros seguem mantidas, com cumprimento regular das obrigações assumidas no curso normal das operações, não havendo qualquer débito ou atraso junto aos nossos fornecedores”.

Nesta quarta, o GPA também comunicou que ​tem analisado diferentes ​alternativas para a melhoria do perfil do seu endividamento e que contratou consultores para assessorá-la nessas frentes, ressaltando que os trabalhos se encontram ⁠em curso, ​não havendo, até o ​momento, qualquer definição.

Em fato relevante à ⁠CVM (Comissão de Valores ⁠Mobiliários), o grupo dono da ​rede ‌de supermercados Pão de Açúcar ⁠afirmou que se encontra em “negociações construtivas com determinados credores para repactuação de ‌dívidas ⁠financeiras e ‌outras obrigações de curto prazo não relacionadas à operação”.

“A companhia reforça ⁠que sua ⁠operação é saudável e que as negociações ‌acima mencionadas têm por seu único objetivo reforçar a liquidez da companhia e, portanto, não envolvem suas ‌operações do dia-a-dia, inclusive com relação ao relacionamento com fornecedores, clientes ⁠e parceiros.”

As ações do GPA desabaram quase 18% na véspera, fechando ​a R$ 2,59. No ano, já ​acumulam um tombo de quase 32%, refletindo preocupações com o endividamento da companhia.

O grupo devolve parte das perdas na sessão desta quarta-feira (4), liderando as altas do Ibovespa, com alta de quase 12%.

Dúvidas e temor

O GPA manifestou dúvidas sobre sua continuidade operacional após a divulgação dos resultados financeiros do quarto trimestre de 2025, publicados na semana passada.

Apesar de apresentar uma melhora em relação ao trimestre anterior, a companhia continua registrando prejuízos significativos e uma dívida elevada, o que tem gerado preocupação no mercado.

No período, as vendas do GPA somaram R$ 5,5 bilhões. No entanto, os custos operacionais atingiram R$ 3,6 bilhões, enquanto as despesas operacionais chegaram a R$ 1,5 bilhão.

Somando-se as despesas financeiras de R$ 438 milhões e outros custos como impostos e depreciação no valor de R$ 472 milhões, a empresa fechou o período com um prejuízo de R$ 572 milhões.

Dívida elevada e juros altos

Um dos principais fatores que contribuem para a difícil situação financeira do GPA é sua dívida bruta, que se mantém em torno de R$ 4 bilhões. Com a taxa de juros atual em 15%, o custo para manter essa dívida tornou-se extremamente elevado, comprometendo a capacidade da empresa de se recuperar financeiramente.

A dívida, que chegou a R$ 6 bilhões em 2023, teve uma redução, mas estagnou no patamar atual.

No balanço divulgado, a própria companhia reconheceu a gravidade da situação, afirmando que “apesar da melhora nos principais indicadores, bem como geração positiva recorrente de caixa, a companhia continua apurando prejuízo”.

O documento ainda destaca que “essas condições indicam a existência de incerteza relevante que pode levantar dúvida significativa sobre a continuidade operacional da companhia”.

Possíveis caminhos para recuperação
Diante desse cenário crítico, analistas apontam que o GPA possui basicamente duas alternativas para tentar se recuperar. A primeira seria a solicitação de recuperação judicial, o que permitiria à empresa renegociar suas dívidas e ganhar tempo para reorganizar suas operações.

A segunda opção seria propor aos credores a conversão da dívida em ações da companhia.

O Grupo Pão de Açúcar é um dos mais tradicionais do varejo alimentar brasileiro, com marcas como Pão de Açúcar e Mini Extra em seu portfólio, o que torna sua possível descontinuidade um fato de grande impacto para o setor varejista e para a economia como um todo.

*Com Reuters

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Fonte : CNN

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