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O governo brasileiro avalia que não é necessário promover mudanças no rateio das exportações de carne bovina para a China neste momento, tendo em vista a aplicação de salvaguardas pelo país asiático e a sinalização de que novas habilitações de frigoríficos brasileiros não devem ocorrer no curto prazo.

O assessor especial do Mapa (Ministério da Agricultura e Pecuária), Carlos Augustin, afirmou que a tendência é preservar a participação histórica das empresas já exportadoras.

“A China diz que, nos próximos três anos, não vai habilitar novos frigoríficos. Então, não tem razão para deixar, vamos dizer, uma parte para os novos, porque não vai haver novos, uma vez que a China não vai habilitar. O racional seria pegar os percentuais dos anos anteriores, mas isso me parece que está a cargo do MDIC fazer”, disse.

Segundo ele, a própria dinâmica do mercado pode orientar a divisão, fazendo o rateio entre os frigoríficos que já estavam habilitados a exportar para o país asiático. 

“O que me parece que vai acontecer é o próprio governo, através do MDIC, fazer o rateio de acordo com aquilo que já vinha sendo fornecido pelos frigoríficos”, destacou.

A avaliação técnica é que, após a salvaguarda, o foco passa a ser estabilidade comercial e previsibilidade para as empresas já habilitadas, mais do que ampliar a base exportadora.

“Não tem [motivo], porque a China já declarou que não vai habilitar novos entrantes nos próximos três anos. Não tem por que fazer.”

A China colocou salvaguardas sobre a carne bovina importada após uma investigação comercial concluída no ano passado. A medida foi anunciada em 31 de dezembro e passou a valer neste ano, com previsão de durar até três anos. 

Pela regra, o Brasil passa a ter um limite anual de cerca de 1,1 milhão de toneladas em 2026, com continuidade prevista para 2027 e 2028, dentro do mecanismo de defesa comercial chinês.

Diante desse cenário, o governo brasileiro passou a discutir formas de organizar o fluxo de embarques para evitar concentração de exportações no início do ano e risco de esgotamento antecipado da cota. 

Técnicos da área agrícola e comercial chegaram a estudar a criação de um sistema brasileiro de gestão das vendas, com distribuição entre frigoríficos e possibilidade de escalonamento dos embarques ao longo do ano.

A ideia seria dar previsibilidade ao setor, evitar uma corrida por embarques e garantir que as empresas já habilitadas mantivessem acesso contínuo ao mercado chinês.

No entanto, dentro do governo cresce a avaliação de que um redesenho formal do rateio pode não ser necessário neste momento, já que a própria China indicou que não pretende habilitar novos frigoríficos brasileiros no curto prazo.

A China responde por cerca de metade das exportações brasileiras de carne bovina e segue como principal destino do produto. Com a cota imposta, o crescimento das vendas ao país tende a depender mais da gestão de volumes e da competitividade do produto do que da abertura de novas plantas.

Ao mesmo tempo, o governo brasileiro mantém a estratégia de buscar novos mercados para diluir a dependência chinesa, com negociações sanitárias em andamento com países da Ásia e do Oriente Médio.

Brasil é o “calo” dos EUA

Ao avaliar as novas tarifas comerciais adotadas pelos Estados Unidos, Augustin afirmou que o avanço do agro brasileiro em mercados globais ajuda a explicar a tensão comercial com os americanos. Para ele, há preocupação nos EUA com a perda de espaço para o Brasil.

“Existe, obviamente, [essa preocupação deles]. Mas quem é que está no calo deles? No calo não, na maioria das vezes acima. É o Brasil. Não tem dúvida: é na soja, é no milho, é na carne, é no algodão, nós passamos”, afirmou.

Segundo ele, a disputa comercial ficou evidente durante o fórum anual de agricultura promovido pelo governo americano na semana passada, onde autoridades dos Estados Unidos defenderam o uso de tarifas como instrumento de política comercial.

“Ficou muito claro na palestra inicial que a maneira americana de convencer os outros a comprar é na base do tarifaço. Essa era a política”, disse.

Augustin relatou que, ainda durante o evento, a estratégia americana sofreu um revés com a decisão judicial que derrubou parte das medidas tarifárias.

Para o assessor, a adoção de tarifas é um sinal de que os Estados Unidos tentam compensar a perda de competitividade agrícola.

“Ele não quer conquistar o mercado, quer impor ao mercado com as tarifações”, pontuou.

Na avaliação dele, o fato de a nova taxação ter sido ampliada para vários países reduz o impacto direto sobre o Brasil.

“A taxação vai ser igual para o mundo inteiro, o que não nos deixa nem melhor nem pior, deixa igual. O mundo parece voltar à normalidade. Vamos ver se é isso”, frisou.

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Fonte : CNN

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