Deputados do PT, PSOL, PCdoB, PSB e Rede acionaram o Conselho de Ética da Alesp (Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo) contra a deputada Fabiana Bolsonaro (PL-SP), após um ato na tribuna da Casa em que se pintou de preto.
A CNN teve acesso a duas representações, assinadas por parlamentares da minoria e da bancada do PSOL na Casa. O pedido da minoria é endossado por 19 deputados, enquanto o da bancada psolista conta com quatro nomes.
Ambas as solicitações pedem apuração por atos de blackface, considerada uma prática racista, e transfobia. Os parlamentares solicitam que Fabiana seja punida com a perda do mandato parlamentar.
Como mostrou a analista da CNN Clarissa Oliveira, o clima nos bastidores é de ceticismo quanto ao avanço das representações.
Na quarta-feira (18), a deputada protagonizou uma polêmica após se pintar de preto durante discurso na tribuna da Alesp.
Segundo a deputada, ela estava realizando um “experimento social” para questionar a escolha da deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) para presidir a Comissão da Mulher na Câmara dos Deputados.
Ao se maquiar, Fabiana iniciou o discurso dizendo: “Trouxe o meu espelho, amarro os meus cabelos, e aqui eu vou fazer um experimento social”.
Na sequência, questionou: “Eu sendo uma pessoa branca, vivendo tudo o que eu vivi como uma pessoa branca, agora, aos 32 anos, decidi me maquiar, me travestir como uma pessoa negra. Eu virei negra?”.
Além das representações no Conselho de Ética, a bancada feminista da Alesp acionou o MPF (Ministério Público Federal), acusando a deputada de racismo e transfobia, “em flagrante abuso de suas prerrogativas”.
Procurada pela CNN, Fabiana Bolsonaro afirmou que não esperava que o ato tomasse essa proporção, porque não é a primeira vez que ela usa a tribuna para protestar. Em nota oficial, a deputada negou ter feito blackface.
“Como deputada, afirmo com total clareza e responsabilidade jurídica: durante minha presença no Plenário da Assembleia Paulista não fiz blackface. É uma mentira deliberada para tentar calar um debate legítimo”, diz o comunicado.
A reportagem procurou o Conselho de Ética da Alesp e o MPF sobre o andamento das ações e aguarda retorno.
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Fonte : CNN