A atriz Gabi Yoon, 35, conhecida por interpretar duas personagens marcantes na novela “Volta por Cima”, da TV Globo, sabe bem o que é enfrentar jornadas de até 12 horas de gravação com a pele impecável.
Mas seu segredo vai muito além dos produtos: tem a ver com identidade, raízes e uma relação profunda com o autocuidado.
Em entrevista à CNN Brasil, a atriz de ascendência sul-coreana abriu o nécessaire e o coração para falar sobre k-beauty, representatividade e os rituais que conectam beleza ao autoconhecimento.
Nos últimos anos, a beleza coreana deixou de ser nicho para se tornar referência global. O termo “k-beauty” engloba produtos e técnicas de skincare da Coreia do Sul que tem conquistado prateleiras do mundo todo com promessas de pele viçosa, hidratação profunda e fórmulas inovadoras.
Máscaras faciais, essências, tônicos e o famoso método das dez etapas viraram obsessão entre entusiastas de beleza. Mas Gabi tem uma abordagem diferente: ela simplifica.
“Eu não sou aquela pessoa das dez etapas de skincare. Faço dois a três passos…vida acontece, sabe?”, conta rindo. “Eu não tenho regras. Gosto de testar coisas novas, mas acabo tendo um ritual padrão que varia conforme a necessidade da pele.”
Nos dias de gravação, o ritual começa muito antes da maquiagem profissional. Com jornadas que podem durar 6, 9 ou até 12 horas, Gabi garante que a hidratação é inegociável.
“Uma pele bem hidratada é a base perfeita para a maquiagem”, explica a atriz. “A maquiagem precisa durar o dia todo e às vezes fazemos retoques. A pele precisa aguentar firme.”
Apesar de ser disciplinada, ela não é refém de rotinas engessadas. Pelo contrário: adapta tudo conforme o clima, o dia e até o humor da própria pele. Dia quente? Hidratante mais leve. Pele pedindo socorro? Máscaras e hidratantes mais nutritivos.
“Sempre observo os princípios ativos dos produtos para escolher de acordo com minha necessidade”, diz.
O amor por produtos coreanos
Entre todos os itens da sua nécessaire, um favorito se destaca: o protetor solar cushion da marca AHC Safe One. “Ele hidrata, acalma e protege ao mesmo tempo. E é prático! Reaplicar protetor sem ficar com a mão melada, sabe?.”
Gabi explica que busca marcas coreanas por identificar que são desenvolvidas especialmente para peles asiáticas. E tem um privilégio: a família que mora na Coreia do Sul traz novidades sempre que pode.
“Hoje existem lojas físicas que vendem produtos coreanos no Brasil, o que facilita. Mas quando estou lá, visito lojas de várias marcas e faço minha curadoria. Eu amo a Olive Young”, refere-se à grande franquia de lojas de produtos de beleza na Coreia do Sul.
Clima brasileiro, pele asiática: um ajuste diário
Com pele mista, Gabi vive num eterno equilíbrio entre oleosidade e ressecamento, especialmente no clima brasileiro. E, no meio disso, fez uma descoberta importante: os tons frios de base combinam mais com ela, contrariando o que presumiam muitos maquiadores.
“Por eu ser asiática, as pessoas achavam que tinha que me colocar em bases quentes e amareladas. Eu ficava laranja! Descobri que tons rosados e frios ficam muito melhor.”
A descoberta veio nos camarins, naquelas horas em que o rosto vira território de testes, mas também pela curiosidade natural dela.
Além disso, ela acompanha as tendências que explodem nas redes sociais, como o famoso “Aegyo-sal”, a técnica de iluminar a área embaixo dos olhos para criar um efeito fofo e jovial, que bombou no TikTok nos últimos anos.
“Já usei bastante, teve sua fase. Hoje eu adapto”, diz rindo. “Eu testo tendências, mas não sigo só porque é moda. Prefiro maquiagens mais neutras e cleans.”
As “gambiarras” de beleza da Gabi
E é impossível não se divertir quando ela revela seus truques secretos — alguns muito úteis, outros perigosamente criativos. O mais inesperado? O removedor de maquiagem improvisado. “Esqueci meu demaquilante viajando e usei óleo de coco e azeite. Funciona! A maquiagem derrete.”
No time das soluções rápidas, ela também carrega um batom multifuncional que vira blush, sombra e cor de boca em minutos. “É coisa de atriz que precisa resolver beleza mais rápido do que troca de figurino”, brinca.
E o mais ousado? Uma técnica que ela mesma avisa: não é para sair fazendo em casa, cuidado!
“Eu pego um palitinho de manicure, aqueço com fogo e uso como se fosse uma chapinha para curvar os cílios. É perigoso! Não é para sair fazendo, mas funciona.”
A técnica, popular entre pessoas com olhos monolide (sem dobra na pálpebra), está bombando nas redes com a hashtag #koreanlashes, que consiste em aquecer um palito de madeira e usá-lo para manter a curvatura dos cílios por mais tempo. Mas Gabi reforça o alerta: requer muito cuidado.
Beleza como identidade e pertencimento
Ser uma mulher asiática no audiovisual brasileiro também traz responsabilidades. Quando questionada sobre o impacto que causa em outras mulheres asiáticas que a veem na TV, Gabi se emociona visivelmente.
“A beleza tem a ver com autocuidado. E autocuidado tem a ver com autoconhecimento. Não tem como falar disso sem reconhecer minha origem. Minha raiz não é tudo que sou, mas me dá muita informação sobre mim.”
“Eu me sinto muito honrada em representar a comunidade de pessoas amarelas. Nem sempre me sinto bonita, mas saber que sirvo como referência me comove”, diz, com a voz emocionada. “Vejo que hoje o cenário está melhor do que antes, apesar de ainda termos muito a avançar.”
Ela lembra do impacto de ver artistas asiáticos conquistando espaço global. “É lindo ver pessoas como eu, podendo existir inteiras. Sem caixinhas. E quando penso que agora posso inspirar outras meninas… meu trabalho têm sentido e quero sempre entregar o meu melhor.”
source
Fonte : CNN