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O furto de amostras virais em um laboratório da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) reacendeu dúvidas sobre o armazenamento de amostras.

Ouvido pela CNN, o médico infectologista professor da UNIFESP Klinger Faíco ressaltou que o armazenamento segue protocolos rigorosos de biossegurança e tecnologia de alta precisão. “Os vírus são mantidos em criopreservação, ou seja, em temperaturas extremamente baixas para que permaneçam ‘adormecidos’ e com a estrutura intacta”, explicou.

Na prática, isso envolve o uso de ultrafreezers — equipamentos capazes de atingir temperaturas muito abaixo de zero — e, em alguns casos, tanques de nitrogênio líquido, utilizados para conservação por longos períodos. As amostras ficam em pequenos tubos selados, organizados em caixas e racks metálicos dentro desses sistemas.

Segundo Faíco, o acesso também é altamente controlado. Laboratórios costumam adotar restrições como biometria, registros de entrada e saída e monitoramento constante, justamente para evitar falhas ou manipulação indevida.

Polícia Federal deteve em flagrante a professora Soledad Palameta Miller, suspeita de subtrair amostras virais de um laboratório de alta segurança. Ela teria usado sua influência como professora para conseguir ter acesso ao local restrito. Segundo informações obtidas pela CNN, ela foi solta em seguida após audiência de custódia.

Para que servem os vírus armazenados

Os estoques são fundamentais para a ciência e a saúde pública. É a partir deles que pesquisadores desenvolvem vacinas, testam a eficácia de exames diagnósticos — como o PCR — e estudam as mutações virais ao longo do tempo.

As amostras também são usadas na vigilância epidemiológica, permitindo comparar vírus que circularam no passado com variantes atuais, o que ajuda a orientar respostas a surtos e epidemias.

Quantos vírus um laboratório pode ter?

A quantidade de vírus armazenados varia de acordo com o nível de biossegurança do laboratório, classificado em uma escala que vai de NB-1 a NB-4, explicou o médico.

Em universidades, o mais comum são laboratórios de nível NB-2, que podem armazenar dezenas de tipos de vírus considerados sazonais ou de menor risco, como os causadores de gripe, adenovírus e dengue.

Já estruturas de maior contenção, como as de nível NB-3, trabalham com um número menor de amostras, porém mais perigosas. Nesses locais, podem ser estudados vírus como o da febre amarela ou o SARS-CoV-2, responsável pela Covid-19.

Onde estão os riscos

Mesmo com protocolos rígidos, há riscos associados ao armazenamento. Entre os principais estão falhas mecânicas, como quedas de energia que comprometam a temperatura, e erros de manuseio, que podem gerar acidentes com materiais perfurocortantes.

Ainda assim, o especialista reforça que esses ambientes contam com múltiplas camadas de proteção. No Brasil, as regras seguem padrões internacionais, com diretrizes da OMS e fiscalização de órgãos como a Anvisa e a CTNBio.

Dinâmica do crime e investigação

desaparecimento de caixas com amostras virais foi notificado para as autoridades no dia 13 de fevereiro. A falta foi sentida pelo Laboratório de Virologia Aplicada.

De acordo com informações da PF, a professora furtou o material e o transferiu para freezers de outros pesquisadores, descartando frascos em lixos comum, no caminho.

As investigações contam com ajuda da Anvisa, que localizou o material aberto e manipulado, encaminhando-o para análise no Ministério da Agricultura.

Os crimes investigados incluem furto qualificadofraude processual e transporte irregular de organismo geneticamente modificado.

Medidas adotadas

Justiça Federal concedeu liberdade provisória à investigada mediante o pagamento de fiança e a proibiu de frequentar os laboratórios da universidade.

Em nota oficial, a Unicamp afirmou colaborar integralmente com o inquérito e reiterou que os envolvidos serão responsabilizados conforme a lei. A universidade abriu uma investigação interna para apurar os fatos.

*Com informações de Beto Souza, da CNN Brasil.

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Fonte : CNN

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