Vários controladores de tráfego aéreo dos EUA afirmaram que o aeroporto de LaGuardia, em Nova York, estava tão movimentado no último domingo (22) que deveria ter recebido reforço de funcionários. No mesmo dia, um avião da Air Canada colidiu com um caminhão de bombeiros na pista, matando os dois pilotos.
O acidente ocorreu após atrasos causados pelo clima, que fizeram 70 voos comerciais decolarem ou aterrissarem durante o mesmo período em LaGuardia.
Em comparação, a média de voos nos domingos à noite em março desde 2022 é de 53, segundo dados da consultoria de aviação Cirium.
Seis dos controladores entrevistados descreveram a carga de trabalho como intensa, e cinco disseram que, normalmente, outros profissionais seriam acionados ou permaneceriam além do horário para lidar com o fluxo maior de voos.
A situação foi agravada por um voo da United Airlines que declarou emergência por um cheiro estranho.
Isso levou um controlador a liberar a passagem de um caminhão de bombeiros na pista antes de perceber que ele estava no caminho do jato da Air Canada, tentando sem sucesso pará-lo, de acordo com gravações divulgadas pelo LiveATC.net.
Carga de trabalho elevada
O acidente reacendeu preocupações sobre a alta carga de trabalho de controladores nos EUA, principalmente à noite, quando normalmente apenas dois profissionais estão de plantão, sendo que um deles gerencia tanto as pistas ativas quanto os veículos em solo.
O secretário de Transportes dos EUA, Sean Duffy, afirmou que LaGuardia contava com 33 controladores certificados e seis em treinamento, em uma unidade que tem como meta 37 profissionais.
A NTSB, que investiga o acidente, informou que dois controladores estavam na torre de vidro no momento da colisão.
Especialistas apontam que o controlador envolvido na emergência da United Airlines e no acidente parecia estar gerenciando tarefas de tráfego aéreo tanto no solo quanto nas pistas, embora a NTSB ainda avalie se houve combinação de funções.
Ray Adams, ex-controlador de tráfego aéreo no aeroporto de Newark, em Nova Jersey, disse que não é comum combinar posições à noite quando há grande fluxo de voos.
Um relatório final da NTSB sobre uma colisão em LaGuardia em 1997 indicou que procedimentos posteriores proibiam a combinação de funções de pista e solo antes da meia-noite, mas não se sabe se essas regras ainda estão vigentes.
Um porta-voz da Port Authority de Nova York e Nova Jersey redirecionou perguntas à FAA, responsável pelo tráfego aéreo, que não comentou imediatamente sobre os procedimentos em LaGuardia.
A NTSB afirmou que a investigação avaliará as regras da torre. Jennifer Homendy, presidente da NTSB, afirmou que ainda é cedo para descartar qualquer causa.
Permanência além do expediente
Um controlador em Nova York afirmou que, em condições climáticas adversas, os profissionais às vezes ficam além do expediente para ajudar no tráfego.
“O tempo não estava bom; ainda havia um fluxo considerável de voos chegando a LaGuardia”, disse o controlador, que preferiu não se identificar por não estar autorizado a falar com a imprensa.
Relatórios meteorológicos indicaram formação de gelo ao nível do solo e na atmosfera, retardando o tráfego e provocando atrasos.
O voo da United Airlines que declarou emergência havia abortado a decolagem duas vezes devido a falha no sistema anti-gelo, segundo uma fonte do setor aéreo. A companhia se recusou a comentar.
O controlador envolvido na colisão da Air Canada não foi imediatamente substituído após o acidente, conforme prática padrão, e depois contou a outro piloto que havia lidado com uma emergência anteriormente.
“Eu errei”, disse o controlador, visivelmente abalado.
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Fonte : CNN