A política do Reino Unido foi abalada por um escândalo de grandes proporções, e o homem que está no centro dele é o ex-embaixador nos EUA, Peter Mandelson. O britânico enfrenta uma investigação criminal decorrente da divulgação de materiais pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos relacionados ao magnata Jeffrey Epstein, condenado por abuso sexual.
Mandelson é casado com o brasileiro Reinaldo Avila da Silva.
Entre os documentos, está uma troca de e-mails de 2009 na qual Mandelson, enquanto atuava como secretário de negócios no governo de Gordon Brown, parece ter vazado para Epstein detalhes de medidas políticas que o gabinete estava considerando após a crise financeira de 2008.
O ex-embaixador também parece ter avisado Epstein de que a União Europeia planejava um resgate de € 500 bilhões para sustentar o euro, também em decorrência da crise financeira.
Os arquivos incluem ainda uma foto de um homem que parece ser Mandelson, de cueca, ao lado de uma mulher cujo rosto foi ocultado. Não está claro quando ou onde as imagens foram tiradas e nenhuma legenda ou contexto para as fotografias foi fornecido com a divulgação dos documentos.
Mandelson disse à BBC que “não consegue identificar o local ou a mulher e não consegue imaginar quais eram as circunstâncias”.
Buscas na casa de Mandelson
A polícia do Reino Unido realizou buscas na sexta-feira (6) em dois endereços ligados a Peter Mandelson no âmbito da investigação sobre má conduta em cargo público, após relatos sobre os laços estreitos entre o ex-embaixador e o falecido criminoso sexual americano.
A polícia informou que estava cumprindo mandados de busca em Wiltshire, no sul da Inglaterra, e outro em Camden, em Londres.
Oficiais iniciaram a investigação na terça-feira (3), após receberem denúncias de má conduta em cargo público, incluindo uma denúncia do governo.
Mandelson, que se demitiu do Partido Trabalhista de Starmer no domingo (1°) e deixou seu cargo na câmara alta do parlamento na terça-feira (3), não respondeu às mensagens solicitando comentários.
Crise no Reino Unido
As menções ao ex-príncipe Andrew, sua ex-esposa Sarah Ferguson e Peter Mandelson no último lote de arquivos sobre Epstein aumentaram a pressão sobre os três para que expliquem seus vínculos com o criminoso sexual e se distanciem ainda mais das instituições britânicas.
As notícias sobre a extensão dos vínculos de Mandelson com Epstein geraram críticas à decisão do primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, de nomeá-lo embaixador nos Estados Unidos em 2024.
Starmer, atacou Mandelson na quinta-feira (5) dizendo que lamentava ter acreditado em suas “mentiras” antes de nomeá-lo enviado britânico a Washington.
O premiê demitiu Mandelson em setembro do ano passado, mas as novas revelações levaram seus oponentes e até mesmo integrantes de seu próprio partido a questionar seu julgamento.
Starmer também instou Andrew Mountbatten-Windsor a depor perante o Congresso dos EUA. O filho da rainha Elizabeth II e irmão do rei Charles III mudou-se de sua mansão na propriedade real de Windsor em meio ao escândalo.
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Fonte : CNN