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A soldado Gisele Alves Santana era lembrada por amigos, colegas de trabalho e familiares como uma mulher carismática, dedicada e cheia de planos para o futuro. Ela foi encontrada morta em 18 de fevereiro, em seu apartamento no Brás, região central de São Paulo.

Os relatos colhidos durante a investigação revelam uma personalidade marcante, descrita de forma praticamente unânime como alegre, acolhedora e apaixonada pela vida.

O marido dela, o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, se tornou réu por feminicídio e fraude processual. Ele está preso no Presídio Militar Romão Gomes.

“Queridinha” no quartel

No ambiente profissional, Gisele conquistou o carinho dos colegas. A sargento Sheila Aparecida Magrini Cruz contou que, apesar de uma certa resistência inicial por conta da aparência e do fato de ser casada com um oficial de alta patente, a policial logo quebrou qualquer barreira.

Segundo ela, Gisele se destacou pela humildade e simpatia, tornando-se a “queridinha” da seção. “Muito fofa, alegre e espontânea”, descreveu.

A policial Sara Barbosa Zerbinatti reforçou essa imagem ao afirmar que a colega era amigável, amável e extremamente profissional. De acordo com Sara, Gisele nunca utilizou o vínculo com o marido, para obter qualquer tipo de benefício dentro da corporação.

O chefe imediato, Rafael Rodrigues dos Santos, também destacou o comprometimento da soldado, afirmando que ela era dedicada, bem integrada à equipe e sem registros de faltas ou atrasos.

Mãe dedicada e cheia de planos

Fora do quartel, Gisele era vista como uma mulher centrada e dedicada. A policial Cristina Amelia da Silva relatatou que a colega cursava faculdade de nutrição e sonhava em ingressar na Escola de Sargentos.

Ela também estava animada com a recente transferência para atuar no TJSP (Tribunal de Justiça de São Paulo), onde via a oportunidade de melhorar a condição financeira da família.

A filha de 7 anos era apontada como sua maior prioridade. Entre amigos e colegas, Gisele era frequentemente descrita como uma mãe “espetacular”, extremamente cuidadosa e dedicada.

Na família, a imagem era semelhante. A tia, Maria de Lourdes, lembrava da sobrinha como uma pessoa doce e comunicativa. “Onde chegava com aquele olho azul, parava o ambiente”, disse.

Mudança de comportamento perto do marido

Apesar da personalidade expansiva, amigos relatam que havia uma mudança perceptível no comportamento de Gisele na presença do marido.

Segundo Sara Zerbinatti, a policial se tornava mais calada e reservada quando estava ao lado do tenente-coronel, destoando completamente de sua postura habitual.

O sargento Rafael Rodrigues também relatou que Gisele, por vezes, chegava ao trabalho abatida após discussões em casa, mas recuperava o ânimo ao longo do dia com o convívio com colegas.

Depoimentos reunidos pela investigação indicam que ela era uma pessoa ativa, saudável e com forte apego à vida. Colegas afirmaram que ela mantinha uma rotina equilibrada, com alimentação regrada e prática de atividades físicas.

Segundo os relatos, a policial não fazia uso de medicação psiquiátrica e evitava até mesmo remédios simples.

Amigos e companheiros de trabalho também afirmam que ela nunca apresentou sinais de agressão ou comportamento que indidicasse intenção de tirar a própria vida.

Para os que conviviam com Gisele, a imagem que permanece é a de uma mulher que “amava muito a vida” e tinha como principal motivação cuidar da filha e realizar seus projetos pessoais e profissionais.

Tenente-coronel impôs regras ao casamento

Segundo o relatório final da Polícia Civil, Geraldo tentava impor uma espécie de manual de submissão que deveria ser seguido por Gisele.

As investigações mostraram que o homem exercia um controle coercitivo severo ao monitorar a aparência, comportamentos e até mesmo a vida profissional da mulher.

De acordo com as apurações, o tenente-coronel determinava diversas proibições sobre a imagem da esposa, que giravam em torno da vaidade e autonomia de Gisele.

Depoimentos de familiares e amigos mostram que a mulher era proibida, por exemplo, de usar batom, salto alto e perfume em casa.

Além disso, mensagens apontam que Gisele era coagida para que não usasse “roupas coladas” e não cumprimentasse outros homens com abraços e beijos no rosto. Veja conversas abaixo:

Segundo o relatório da polícia, Geraldo tinha as senhas e acesso direto às redes sociais de Gisele. A análise técnica do celular do homem confirmou registros de entrada nas contas para fiscalizar as interações da esposa.

As apurações mostram que o tenente-coronel impôs regras de como ela deveria se apresentar na internet. Algumas delas eram a exigência da informação “casados” na biografia do perfil e a proibição de fotos de Gisele sozinha.

Leia na íntegra a nota da defesa:

“O escritório de advocacia MALAVASI SOCIEDADE DE ADVOGADOS, contratado para assistir o Tenente-Coronel GERALDO LEITE ROSA NETO no acompanhamento das investigações relativas ao suicídio de sua esposa, vem a público prestar esclarecimentos.

Ante o recente decreto dúplice de prisão do Tenente-Coronel pelos mesmos fatos tanto perante a Justiça Militar quanto pela Justiça Comum, a defesa encontra-se estarrecida pela manutenção da competência de ambas as jurisdições.

Informa que sabedor dos pedidos de prisão em seu desfavor desde a data do dia 17/3 não só não se ocultou, como forneceu espontaneamente comprovante de endereço perante a Justiça, local onde foi cumprido o mandado de prisão, ato ao qual, embora manifestamente ilegal pois proferido por autoridade incompetente, não se opôs, tendo mantido a postura adotada desde o início das apurações de colaboração com as autoridades competentes.

Informa, por fim, que já ajuizu Reclamação perante o STJ contra o decreto oriundo da Justiça castrense e que estuda o manejo de habeas corpus quanto à decisão da 5ª Vara do Júri da Capital.

Reitera que seguem sendo divulgadas informações e interpretações que alcançam aspectos de sua vida privada, muitas vezes por meio de conteúdos descontextualizados, ocasionando exposição indevida e repercussões que atingem sua honra e dignidade.

A intimidade, a vida privada, a honra e a imagem constituem direitos fundamentais assegurados pela Constituição Federal (art. 5º, X), razão pela qual a divulgação de elementos pertencentes a essas esferas encontra limites nas garantias constitucionais, sendo certo que, no momento oportuno, sua equipe jurídica irá reprochar toda e qualquer divulgação ou interpretação que venha vilipendiar tais direitos em relação ao Tenente-Coronel.

Por fim, o escritório reafirma sua confiança na atuação das autoridades responsáveis pela condução das investigações e reitera que o Tenente-Coronel aguarda a completa elucidação dos fatos.”

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Fonte : CNN

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