A patente da semaglutida, princípio ativo presente em medicamentos como Ozempic e Wegovy, utilizados para tratar diabetes tipo 2 e obesidade, expirou no Brasil na última sexta-feira (20). Com isso, a farmacêutica Novo Nordisk perde a exclusividade na comercialização desses produtos, abrindo caminho para que outras empresas entrem no mercado das chamadas “canetas emagrecedoras”.
Segundo Neuton Dornelas, presidente da SBEM (Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia), a expectativa é que ocorra uma redução significativa nos preços desses medicamentos. “Nós acreditamos que seja possível ocorrer uma redução nos preços de 30% a 50% com essa abertura do mercado”, afirmou.
Processo de aprovação de novos medicamentos
Atualmente, existem mais de 10 pedidos de registro de medicamentos à base de semaglutida em análise na Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). Dornelas explicou que, para que esses medicamentos sejam comercializados no Brasil, precisam passar pelo processo de aprovação do órgão regulador, que já se manifestou afirmando que dará prioridade máxima a esse processo, mas respeitando os critérios de segurança.
“Não houve quebra, houve queda da patente, ou seja, houve expiração do prazo, e a gente acredita que isso vai realmente trazer benefícios em termos de abastecimento, de redução de preço e, provavelmente, de acesso para a população que necessita desse medicamento”, destacou Dornelas.
Acesso pelo sistema público de saúde
Recentemente, o Rio de Janeiro se tornou a primeira cidade do Brasil a oferecer o Ozempic pelo SUS (Sistema Único de Saúde). Sobre a possibilidade de ampliação dessa oferta para todo o país, Dornelas comentou que a principal barreira ao longo do tempo tem sido a questão orçamentária.
O especialista destacou que a Conitec (Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias) no SUS realizou análises sobre esses medicamentos e concluiu que são seguros, eficazes e trazem benefícios significativos, reduzindo peso, glicemia e, sobretudo, o risco cardiometabólico dos pacientes. “A obesidade mata, o diabetes mata e são doenças que, infelizmente, antecipam o ciclo natural da vida. Portanto, precisa tratar”, enfatizou.
Uso responsável e orientação médica
Dornelas alertou para o uso indiscriminado desses medicamentos, muitas vezes influenciado por pessoas sem formação médica. “Infelizmente, houve situação de pessoas utilizando medicações adquiridas do mercado paralelo, ou trazendo de fora do país, ou medicamentos que estavam sendo fabricados de forma irregular”, relatou.
O presidente da SBEM reforçou a importância da prescrição médica e da aquisição dos medicamentos em farmácias regulares. “Precisamos ter a segurança de quem fabrica, de quem está prescrevendo e ter uma orientação feita por um profissional”, concluiu.
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Fonte : CNN