A Fiec (Federação das Indústrias do Estado do Ceará) abriu nesta segunda (9) a Feira da Indústria, evento que reúne empresários, especialistas e representantes do setor produtivo para discutir os desafios e oportunidades da indústria brasileira. A programação ocorre até segunda-feira (10) no Centro de Eventos do Ceará, em Fortaleza.
Organizada pela federação, a feira reúne diferentes segmentos industriais e inclui painéis, palestras e rodadas de negócios voltadas a temas como inovação, competitividade, transição energética e infraestrutura logística. A expectativa da organização é de receber cerca de 80 mil pessoas ao longo dos dois dias de evento.
Segundo a Fiec, a proposta da feira é mostrar como a indústria está presente em diversas cadeias produtivas e discutir caminhos para ampliar a competitividade do setor, em um momento em que temas como custo da energia, modernização tecnológica e investimentos em infraestrutura ganham centralidade no debate econômico.
Durante a abertura do evento, o presidente da Fiec, Ricardo Cavalcante, destacou o peso do setor industrial na economia cearense. “Hoje, 82,6% de tudo o que o Ceará exporta vem da indústria, e o setor responde por cerca de 390 mil empregos formais diretos no nosso estado”, disse.
Entre os temas abordados na programação estão a transição energética, o mercado de energia e iniciativas voltadas à eficiência energética na indústria. Um dos painéis discute os desafios e oportunidades da transição energética no Ceará, enquanto outro debate estratégias para reduzir custos de energia no setor produtivo.
O governador do Ceará, Elmano de Freitas, destacou o peso da indústria para o emprego no estado e afirmou que o setor segue em expansão. Segundo ele, a indústria cearense emprega atualmente cerca de 390 mil trabalhadores e registrou crescimento superior a 4% nos últimos 12 meses.
“Os data centers são um serviço que será exportado, mas também têm impacto direto na indústria, porque exigem aumento da oferta de energia. Aqui no Ceará, um único data center pode consumir cerca de 1 gigawatt de energia, enquanto todo o estado consome hoje aproximadamente 1,5 gigawatt. Ou seja, apenas um empreendimento pode demandar uma parcela significativa da energia do estado, o que exige novos investimentos industriais para ampliar a produção e o fornecimento de energia”, afirmou.
O tema da infraestrutura também aparece de forma transversal nos debates. Especialistas discutem desde a logística industrial até as condições necessárias para ampliar investimentos produtivos no Nordeste. A avaliação de representantes do setor é que gargalos em transporte, energia e integração de cadeias produtivas ainda representam obstáculos para a expansão da atividade industrial.
O Ceará tem buscado se posicionar como um polo relevante na agenda energética, especialmente com projetos ligados a fontes renováveis e ao desenvolvimento da cadeia do hidrogênio verde. Nesse contexto, a discussão sobre infraestrutura energética — incluindo redes de transmissão e integração com projetos industriais — tem ganhado destaque entre empresários e investidores.
Além das discussões técnicas, o evento conta com a participação de executivos e especialistas convidados, como empresários e pesquisadores ligados ao setor industrial, além de atividades culturais e apresentações voltadas ao público visitante.
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Fonte : CNN