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A paixão pelo AC/DC foi herança de família para a apresentadora de TV Ana Chu, 43, que há décadas mantém devoção pela banda australiana. Quando tinha 14 anos, conseguiu ajuda dos pais para se hospedar com uma amiga no mesmo hotel em que os artistas estavam, em Curitiba (PR), durante a turnê “Ballbreaker”, de 1996.

Daquele episódio uma memória foi construída em família: o guitarrista Malcolm Young foi abordado por Ana no saguão, conversou com ela, assinou discos e tirou fotos. O irmão dele, Angus, pegou a caneta da mão dela e autografou sua camiseta.

“Aquele encontro marcou profundamente a minha vida”, disse Ana, lembrando que a ação dos pais foi decisiva para que seu sonho se tornasse realidade.

O irmão de Ana, Marcelus, responsável por fazê-la esquecer dos Menudos, tocava em uma banda cover do AC/DC. Ele teve uma fita cassete ouvida pela equipe. Disseram para Ana que Angus chegou a elogiar o trabalho como “o melhor cover que já ouviu”.

Décadas depois, Ana voltou a tentar traduzir aquela experiência única em família para o filho. Ingressos foram guardados como troféus, a família foi reunida para São Paulo e o menino foi vestido à maneira do seu ídolo.

O estudante João Marcelo, 10, fã do vocalista Brian Johnson, ganhou boina e figurino para a noite. No Morumbi, o show foi descrito como “apoteótico”: clássicos executados com eficiência e a sensação de que a banda, mesmo veterana, ainda mobiliza multidões.

“Meu filho viu eles tocando ‘High Voltage”, um dos momentos mais importantes do show. Eles nunca tocaram essa música no Brasil antes. Foi épico”, disse Ana, citando a fala de Brian de que a noite era “para vocês”.

A expectativa de transferir ao filho a experiência do passado motivou outra tentativa: aproximar-se dos músicos após o espetáculo. A cena antiga, em que autógrafos e fotos eram alcançados com intervenção familiar, foi reconstruída apenas na memória; a realidade se mostrou mais contida.

A aproximação desejada foi contida por um aparato de proteção que, segundo Ana, tornou a passagem dos fãs por espaços privados muito mais difícil.

Ao tentar conseguir um autógrafo para o menino, a família teve a solicitação recusada por seguranças. A sensação foi traduzida por Ana em frase curta: “Parece que eu levei um fora de um grande amor.”

Ainda assim, um pequeno gesto de proximidade com a banda foi conquistado: um presente que Ana trouxera de Curitiba, uma bolsa feita por uma artesã local, e uma carta foi entregue em mãos a Ellen Young, mulher de Angus, e foi recebido com carinho. “Ela ficou realmente muito contente”, disse Ana sobre o abraço que se seguiu.

A fotografia em família com os músicos, sonho que havia guiado a viagem, não foi obtida; o que ficou, segundo a fã, foi o calor daquele abraço com um membro tão próximo da banda e a reafirmação de que pequenas gentilezas podem substituir o retrato imaginado.

Ao recontar a trajetória, Ana alternou nostalgia e realismo: rememorou a sorte da adolescência, a fita do irmão que ganhou elogios, o período em que ficou internada e as perdas que lhe deram outra dimensão à devoção.

E, apesar do refluxo de expectativa, Ana disse que a música continuava sendo a ponte entre gerações: “Se eles estão no palco, é porque ainda conseguem fazer 70 mil pessoas pularem.”

Ana, o marido dela, João Henrique, 43, e o filho deles têm um novo encontro marcado com a banda neste sábado (28), no Morumbis.

A viagem, disse ela, segue sendo uma maneira de construir memória em família, agora com a chance de o filho acrescentar suas próprias lembranças à história que começou com os pais.

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Fonte : CNN

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