O acordo entre Mercosul e União Europeia, que passou por 26 anos de negociações, finalmente avançou para a fase de ratificação legislativa. Apesar de não ser considerado o “acordo dos sonhos”, representa um importante passo para a abertura de mercados e relações comerciais entre os blocos econômicos.
Em entrevista, Tereza Cristina, que participou das negociações em 2019 quando estava à frente do Ministério da Agricultura, destacou que o acordo enfrentou resistências principalmente no setor agrícola. “Os agricultores europeus têm muita resistência, principalmente ao agro brasileiro, porque eles nos veem como grandes concorrentes”, explicou.
A ex-ministra ressaltou que as cotas estabelecidas para produtos brasileiros são pequenas diante do potencial produtivo do país. “Noventa e nove mil toneladas de carne com alíquota zero é muito pouco pelo tamanho hoje da pecuária brasileira; 180 mil toneladas de frango também é muito pequeno, o Brasil é o maior produtor e exportador de frango do mundo”, afirmou.
Barreiras e adaptação
Apesar das limitações, Tereza Cristina acredita que o acordo trará benefícios em outras áreas como inovação, tecnologia e investimentos. Ela destacou que a implementação será gradual, com alguns produtos agrícolas levando até 14 anos para completar a desgravação tarifária, o que dará tempo para o mercado se acomodar.
A senadora também abordou as preocupações com as barreiras não-tarifárias, especialmente as ambientais e sanitárias. “O Brasil tem regulação em toda a área sanitária de primeiro mundo. Nós não ficamos devendo nada a ninguém na área sanitária. Aliás, hoje eles têm mais problema com doença lá do que nós”, defendeu.
Sobre as questões ambientais, ela mencionou que existe uma narrativa errônea sobre o Brasil e ressaltou a importância do Código Florestal brasileiro. “Ninguém tem um Código Florestal como o Brasil”, afirmou, diferenciando o desmatamento legal do ilegal.
Tereza Cristina também comentou sobre a necessidade de mecanismos de reciprocidade para enfrentar medidas protecionistas. “Eu acho que este acordo, antes de ser aprovado, talvez a gente tenha que fazer uma salvaguarda bilateral. Nós temos mecanismos internos para fazer a mesma coisa que eles estão fazendo lá”, concluiu.
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Fonte : CNN