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Bruna Nhaia, ex-jogadora do Santos, criticou nas redes sociais a contratação de Cuca como novo técnico do clube. O treinador assume o cargo após a saída de Juan Pablo Vojvoda, com contrato até o fim de 2026.

A lateral-direita do Gotham FC, dos Estados Unidos, publicou um stories no Instagram em que questiona a decisão da diretoria.

“É inacreditável como o futebol continua ignorando questões sérias. Pra quem não sabe, esse cara aí da foto que acaba de assumir o comando do Santos Futebol Clube carrega um caso gravíssimo de 1987 envolvendo uma menor de idade”, escreveu, se referindo ao anúncio da chegada do treinador no perfil do Santos.

“Houve condenação na época, que depois foi anulada por questões processuais. Ou seja, não houve confirmação de inocência. Mesmo assim, o assunto segue sendo tratado com descaso por muitos”, acrescentou.

Bruna também afirmou estar “revoltada” com a decisão da diretoria. “Não dá pra normalizar esse tipo de histórico no esporte, só me deixa revoltada em ver um clube do tamanho do Santos permitir isso”, finalizou.

Condenação de Cuca

Em 1989, Cuca foi condenado a 15 meses de prisão em regime semiaberto por manter relação sexual sem consentimento com uma menina de 13 anos durante uma excursão à Suíça, quando ainda era jogador do Grêmio.

O caso ocorreu em 1987. Na ocasião, Cuca e outros três jogadores do clube foram presos horas após o crime, enquadrados no artigo 187 do Código Penal suíço, que criminaliza atos sexuais com menores de 16 anos. O treinador foi liberado após pagamento de fiança.

Como o Brasil não extradita seus cidadãos e os envolvidos não retornaram à Suíça, a pena não foi cumprida após o julgamento e a sentença prescreveu após 15 anos. Em 2024, a Justiça suíça anulou a condenação por vícios processuais – o que não significa que ele tenha sido inocentado.

Fê Palermo também se manifesta

Fernanda Palermo, jogadora do Palmeiras e da Seleção Brasileira, também se posicionou nas redes sociais e ampliou as críticas ao cenário do futebol.

Ela afirmou que o ambiente esportivo frequentemente relativiza comportamentos fora de campo. “O futebol entra em uma questão que vira fanatismo. A gente simplesmente esquece o que o ser humano fez como cidadão, pelo simples fato de ser ou ter sido um jogador super habilidoso, ter feito muito pelo nosso país/clube”, escreveu.

Na sequência, a jogadora criticou a omissão diante de acusações graves. “Uma grande parte da sociedade vai optar por se omitir, esquecer que esse cidadão foi acusado de estupro.”

Fernanda também questionou a postura do futebol diante desses casos e defendeu maior responsabilidade de clubes e dirigentes.

“Porque o futebol está sendo esse lugar que insiste ignorar essas coisas? Vamos inspirar e sermos exemplos positivos. E quem pensa: ‘ah, mas foi há muito tempo’ e ‘não foi comprovado’. Parem e assumam nosso papel como sociedade.”

“A lógica é muito simples: não cometam crimes. Não abusem do seu ‘poder’ hierárquico. E mais simples ainda, se não sabemos a verdade mas teve acusações, não contratem, não sejam coniventes. Existem mais técnicos que nunca estiveram envolvidos com esses tipos de acusações”, acrescentou.

A atleta também relatou experiências pessoais e explicou por que decidiu se posicionar publicamente: “Eu já sofri abusos sexuais, morais e que até hoje não consegui provar e nem sei quando vou conseguir. Mas não consigo mais ser conivente, pois sim, o meu silêncio me torna conivente.”

“Dói no coração porque sabemos da história do Santos Futebol Clube. Mas entra na questão que falei que o futebol não pode ser fanatismo. Temos que ser coerentes enquanto cidadãos.”

Por fim, fez um apelo direto à diretoria: “Espero de coração que a diretoria reveja situações que têm sido recorrentes no clube e na sociedade.”

 

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Fonte : CNN

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