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O regime iraniano tem demonstrado grande resiliência ao longo das décadas, o que torna prematuro falar sobre a possível queda do líder supremo do Irã, Ali Khamenei, mesmo diante dos recentes ataques ao país. Esta é a avaliação da professora de Relações Internacionais do Ibmec-SP, Karina Calandrin, em entrevista à CNN Brasil.

Segundo Calandrin, o atual conflito no Oriente Médio representa mais uma tentativa de mudança de regime no Irã, algo que já foi buscado anteriormente. “Vejo esse conflito atual, essa nova incursão no Oriente Médio, como uma tentativa, novamente, não a primeira vez, de uma queda do regime”, afirmou a especialista.

A professora destacou que, apesar das manifestações ocorridas no final do ano passado e início deste ano terem dado certa legitimidade à tentativa americana de intervenção, tais ações ainda são consideradas ilegais perante o direito internacional.

“Os Estados Unidos e Israel não poderiam ter feito isso, independente do apoio popular iraniano e, é claro, da perda de popularidade do regime do Ayatollah“, explicou.

Histórico de permanência no poder

A professora ainda ressaltou que o regime iraniano está no poder desde a Revolução de 1979 e tem se mostrado “muito habilidoso, apesar das crises políticas e regionais, em se manter no poder”. Calandrin lembrou que o governo iraniano conta com uma forte polícia de repressão, o que ficou evidenciado nos últimos protestos que resultaram em dezenas de mortes.

Além da repressão interna, o regime também possui apoio internacional, com destaque para a Rússia e a China, que oferece suporte indireto para o controle da população iraniana. “É muito difícil essa queda”, concluiu a professora.

Alternativas ao regime atual

Questionada sobre a possibilidade de Reza Pahlavi, herdeiro da antiga monarquia iraniana, assumir o governo em caso de queda do regime atual, Calandrin mostrou-se cética.

“Não vejo ele assumindo, a não ser que seja uma imagem exterior, então ele tem um apoio internacional do que um apoio doméstico”, analisou.

A professora explicou que a população iraniana, de maneira geral, não deseja o retorno da monarquia, que já não era popular antes da Revolução de 1979 justamente pela interferência externa que permitia.

“Eu acho que a população iraniana tem direito de lutar pelo seu próprio destino e uma nova forma de governo, seja um governo republicano, lutar por um governo democrático que seja, mas eles vão definir os rumos disso”, defendeu.

Calandrin alertou ainda para os riscos de uma transição de poder inadequada caso o Ayatollah seja removido à força por exércitos estrangeiros, citando exemplos de intervenções malsucedidas em outros países.

Para a especialista, o momento dos ataques pode estar relacionado ao enfraquecimento do regime, tanto militar quanto em termos de popularidade, após os protestos domésticos ocorridos recentemente no país.

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Fonte : CNN

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