wp-header-logo-3246.png

O recente ataque dos Estados Unidos e Israel ao Irã evidencia como o direito internacional está cada vez mais enfraquecido e subordinado aos interesses das grandes potências militares. Em entrevista à CNN Brasil, o professor Alexandre Coelho, especialista em Relações Internacionais da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo, analisou a situação atual do conflito e as implicações para a ordem mundial.

Sobre a manifestação do governo brasileiro condenando os ataques, Coelho considerou a resposta adequada e cautelosa. “A resposta brasileira vem dentro do esperado, com bastante cautela, bem cuidadosa. De fato, uma resposta cirúrgica. Entendo que a resposta foi perfeita para o momento atual”, afirmou o especialista. Segundo ele, essa posição não deve afetar o encontro previsto para março entre Lula e Donald Trump.

Direito internacional sob a lei do mais forte

O ponto central da análise de Alexandre Coelho é a fragilidade do direito internacional diante dos conflitos contemporâneos. “O direito internacional hoje carece do que chamamos em inglês de enforcement, ou seja, da capacidade dele ou das organizações internacionais pressionarem um Estado a cumprir determinado comportamento ou seguir determinada regra”, explicou o professor.

Coelho ressalta que há uma normalização de ações não legitimadas no cenário internacional. “Hoje o direito internacional está refém, na verdade, da força, está refém da lei do mais forte”, destacou. Ele comparou a situação atual com a invasão do Iraque em 2003, quando havia forte manifestação contrária por parte da Europa, enquanto hoje as potências europeias mantêm-se praticamente silenciosas diante dos ataques ao Irã.

Para o especialista, as análises geopolíticas atuais precisam considerar primeiramente as capacidades militares e econômicas de cada país, além das percepções estratégicas dos atores envolvidos. “O Irã calculando que uma guerra poderia ou pode unir sua população e se entendendo como capaz de aguentar uma guerra longa. Os Estados Unidos com outra percepção temporal, que é de realizar uma guerra curta e resolver o problema”, analisou.

Alexandre Coelho concluiu que essas diferentes percepções podem levar a cálculos equivocados, enquanto o direito internacional permanece marginalizado nas decisões que envolvem conflitos entre grandes potências e seus aliados. “São as percepções hoje, a questão da lei do mais forte e de capacidades militares e econômicas que são os elementos que levamos para realizar as análises, já que, infelizmente, o direito internacional parece que foi colocado de lado”, finalizou.

source
Fonte : CNN

Destaques Informa+

Relacionadas

Menu