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Os EUA denunciaram na quinta-feira (26) que a China está realizando ações de “retaliação” contra o Panamá, que afetam o transporte marítimo global, em meio ao aumento das tensões em relação a dois portos no Canal do Panamá que eram operados por uma empresa chinesa cujo contrato foi recentemente rescindido.

A FMC (Comissão Marítima Federal dos EUA) afirmou em comunicado que está “monitorando de perto” os desdobramentos nos portos do Canal do Panamá e que a China intensificou a detenção de embarcações com bandeira panamenha em portos chineses, submetendo-as a “inspeções reforçadas” sob o pretexto, segundo a FMC, de “controle do Estado do porto”.

Essas ações “parecem ter como objetivo punir o Panamá” na disputa legal entre os dois países e estão afetando as condições do transporte marítimo global, declarou a comissária da FMC, Laura DiBella.

“Considerando que os navios com bandeira panamenha transportam uma parcela significativa do comércio de contêineres dos EUA, essas ações podem ter grandes consequências comerciais e estratégicas para o transporte marítimo americano”, afirmou DiBella.

A CNN entrou em contato com o Ministério das Relações Exteriores e a Autoridade Marítima do Panamá para obter um posicionamento e aguarda resposta.

Enquanto isso, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Lian Jian, classificou as alegações dos EUA como “acusações infundadas” e afirmou que a posição do país sobre assuntos relacionados aos portos da hidrovia “é clara”.

“As repetidas acusações infundadas dos Estados Unidos apenas revelam sua tentativa de assumir o controle do Canal”, disse o porta-voz em uma coletiva de imprensa na sexta-feira (27), sem fornecer mais detalhes sobre as supostas detenções de navios com bandeira panamenha.

A queixa da FMC surge pouco depois da revelação de que a Panama Ports Company, empresa que operou por 28 anos em portos ao longo do Canal do Panamá com capital da empresa de Hong Kong CK Hutchinson Holding, aumentou suas reivindicações contra o Panamá em processos de arbitragem internacional pela suspensão de contratos na hidrovia.

No final de janeiro, a Suprema Corte do Panamá confirmou a decisão que anulou o contrato com a PPC (Panama Ports Company), que operava dois portos em extremidades opostas do Canal com significativo capital chinês. Pequim afirmou que o governo do país caribenho pagaria “um alto preço político e econômico” se não mudasse sua posição.

A empresa agora alega que, um mês após o que chama de “apropriação ilegal” pelo Estado panamenho dos terminais dos portos de Balboa e Cristóbal (em extremidades opostas do Canal do Panamá) e a ocupação de sua propriedade, os prejuízos já ultrapassam US$ 2 bilhões, segundo comunicado divulgado pela empresa na terça-feira (24).

A esse respeito, o presidente panamenho, José Raúl Mulino, negou as acusações de ilegalidade e afirmou que seu país é “um Estado de Direito” e que a decisão deve ser respeitada.

Há algum tempo, o presidente dos EUA, Donald Trump, e membros de sua administração têm apontado para a suposta intenção da China de exercer maior controle sobre o Canal do Panamá e infraestruturas essenciais no país, o que levou o americano a ameaçar retomar o controle da hidrovia interoceânica. Tanto o Panamá quanto a China rejeitam essas acusações.

O interesse da China nessa hidrovia estratégica, por onde passam aproximadamente 40% de todo o tráfego de contêineres dos EUA anualmente, é um dos principais fatores por trás da intenção de Trump de contrabalançar a influência de suas potências rivais na América Latina.

Panamá rejeita acusações da Panama Ports Company

Em sua declaração mais recente, além de uma série de acusações, a Panama Ports Company reiterou que o Panamá não apresentou sua resposta inicial ao processo, algo que já havia apontado em uma declaração anterior publicada em 16 de março.

“É um fato que o próprio Panamá afirmou que não contratou advogados e usou isso como justificativa para o atraso. Em um sinal preocupante para investidores estrangeiros, o Panamá está tentando atrasar a arbitragem, arrastar para o caso partes que não fazem parte do contrato aplicável e continua sua campanha de ataques, exatamente como a PPC havia alertado”, disse a empresa autora da ação.

O Ministro de Assuntos do Canal, José Ramón Icaza, rejeitou as acusações da PPC quando contatado pela CNN. O Panamá tem uma defesa e contratou advogados para a arbitragem, afirmou o ministro, algo que o presidente Mulino também já havia declarado anteriormente.

“Isso faz parte da estratégia, provavelmente parte da estratégia de defesa e comunicação da Panama Ports. Eles tentaram insinuar que o Panamá não está preparado para se defender, o que é completamente falso”, disse Icaza na quarta-feira (25).

Segundo o ministro, a empresa e seus acionistas têm o direito de apresentar quaisquer reivindicações que considerem apropriadas, mas ele enfatizou que o governo panamenho manterá sua posição em defesa da soberania e dos interesses nacionais.

“O Panamá vem se preparando, é claro, para defender seus interesses, e faremos isso de acordo com o processo de arbitragem, e respeitaremos esse processo”, afirmou o ministro.

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Fonte : CNN

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