O Irã disse nesta segunda-feira (16) que o Estreito de Ormuz, passagem estratégica que transporta cerca de um quinto do petróleo mundial, “não está fechado”, mas funciona sob “condições especiais”.
O tráfego de navios pelo estreito está praticamente interrompido desde o início da guerra, há mais de duas semanas, com o país permitindo a passagem apenas de um número limitado de embarcações.
“Partes que não participam da agressão militar contra o Irã têm conseguido atravessar o Estreito de Ormuz em coordenação e com permissão de nossas forças armadas”, afirmou o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Esmaeil Baghaei.
Ele acrescentou que “nenhum país costeiro em situação de ameaça permitiria que navios inimigos passassem livremente e se fortalecessem para realizar ataques”, ressaltando que EUA, Israel e aliados “não deveriam, naturalmente, poder usar o Estreito de Ormuz para atacar o Irã”.
Petroleiros paquistaneses passam pelo Estreito de Ormuz
Segundo fontes marítimas do Paquistão e dados de rastreamento, três petroleiros paquistaneses atravessaram o Estreito de Ormuz nos últimos dez dias, indicando que o Irã pode estar permitindo passagem segura para determinados carregamentos de petróleo.
O último navio a cruzar o estreito foi o Karachi, disse à CNN uma fonte da Pakistan National Shipping Corporation (PNSC), sob condição de anonimato.
“É muito provável que a passagem segura tenha sido coordenada com os iranianos”, afirmou a fonte.
Dados da MarineTraffic mostram que o Karachi transitou pelo estreito na noite de domingo (15), navegando próximo à costa iraniana. A plataforma destacou que o navio estava dentro da zona econômica exclusiva do Irã e transmitindo sinal do sistema de identificação automática (AIS), “o que sugere que algumas cargas selecionadas podem estar recebendo salvo-conduto negociado”.

Qamar Cheema, diretor executivo do Instituto Sanober, organização de pesquisa em Islamabad, disse à CNN que é possível “presumir com segurança” que o Paquistão tenha usado canais diplomáticos para que a Guarda Revolucionária do Irã autorizasse a passagem de seus navios.
Segundo ele, o Irã “compreende as preocupações econômicas do Paquistão” e é improvável que Islamabad tenha feito concessões ao país, dado o “apoio estatal e social do Paquistão ao Irã”.
Na segunda-feira (16), o ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, elogiou o Paquistão, agradecendo pela “expressão veemente de solidariedade e apoio” ao Irã.
Na quinta-feira (12), o Ministério das Relações Exteriores do Paquistão afirmou que Islamabad mantém um “canal de comunicação aberto” com Teerã.
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Fonte : CNN