A internet via satélites caminha para uma nova etapa de inovação em 2026: a expansão da tecnologia direct-to-device, voltada para acessar a internet diretamente pelo celular, sem uso de uma antena externa como a da Starlink. O Brasil já faz testes para implementar a nova forma de conexão no país.
A própria empresa de satélites já oferece o serviço de forma limitada nos Estados Unidos. Por aqui, a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) trabalha para receber mais empresas do segmento, testar as novas constelações de satélites e analisar a viabilidade da tecnologia no país.
Principal nome da internet via satélite no Brasil, a Starlink ainda não trouxe a tecnologia direct-to-device ao país.
Por enquanto, a empresa vinculada à SpaceX oferece o recurso somente nos Estados Unidos para assinantes da operadora de telefonia móvel T-Mobile, mas ainda em acesso limitado. O serviço foi lançado no ano passado e já tem mais de 50 modelos de celulares compatíveis, mas só é possível usar funções básicas como mensagens de texto e ligações telefônicas.
Como funciona a tecnologia?
A tecnologia direct-to-device permite enviar o sinal do satélite diretamente para a antena do celular e usar recursos básicos, como mensagens de texto e serviços de emergência, em locais mais remotos ou com pouco sinal da operadora de dados móveis.
Ao Podcast Canaltech, o superintendente de Outorga e Recursos à Prestação da Anatel, Sidney Nince, explica que o serviço é possível graças às constelações de satélites que circulam em órbitas baixas.
“Os satélites geoestacionários ficam a 36 mil km da Terra, então o tempo de propagação dos dados é muito menor em órbita baixa. Fica mais fácil oferecer soluções que exigem uma latência melhor”, afirma.
O acesso à conexão via satélite ocorre após um acordo entre a empresa responsável pelas constelações e uma operadora de telefonia móvel.
Quais os desafios para implementá-la no Brasil?
A internet via satélite direta para celulares ainda dá seus primeiros passos no mundo. O Brasil tenta fomentar o mercado por aqui e estimular a concorrência entre diferentes empresas, além de liberar um espaço para testar a conexão.
Além de questões de distância e estrutura, Nince aponta para mais um obstáculo: o tempo curto para testar. A empresa de satélite precisa usar uma frequência temporariamente para avaliar o serviço, o que pode tornar o processo mais lento.
“Como um satélite está em movimento, ele cobre uma área só por 7 minutos. A janela de testes é 7 minutos por dia, a menos que você tenha um terminal em vários lugares do
Brasil”, acrescenta.
*Matéria de André Magalhães, do Canaltech, em colaboração à CNN Brasil
source
Fonte : CNN