O Ministério Público Federal (MPF) denunciou à Justiça Federal, no Pará, integrantes de um esquema criminoso responsável por produzir, vender e compartilhar vídeos de extrema crueldade contra animais.
As investigações revelam que os abusos eram cometidos de forma planejada, muitas vezes sob encomenda de compradores internacionais, e envolviam tortura, mutilação e morte de animais domésticos e silvestres.
Como o esquema funcionava
De acordo com a denúncia, os investigados mantinham uma estrutura organizada para atender clientes de outros países, que pagavam em dólar e euro por conteúdos específicos.
Os criminosos utilizavam termos cifrados para esconder a natureza das atividades e operavam por meio de plataformas digitais e transferências financeiras, incluindo pix.
Os vídeos eram produzidos de forma recorrente, transformando a violência contra animais, como gatos, coelhos e aves, em uma fonte de renda.
Início das investigações
O caso começou após uma denúncia da organização internacional Campaigns and Activism for Animals in the Industry, da Bulgária, que identificou conteúdos violentos supostamente produzidos no Brasil.
A partir disso, a Polícia Federal, por meio da Unidade de Repressão a Crimes Cibernéticos de Ódio, passou a investigar o caso.
O trabalho incluiu rastreamento de transações financeiras e análise de dados digitais, que permitiram identificar os responsáveis e vincular os conteúdos a endereços no Brasil.
Provas reunidas
Durante a Operação Bestia, realizada em novembro de 2025, a Polícia Federal cumpriu mandados de busca e apreensão e encontrou provas consideradas contundentes:
* Dispositivos eletrônicos com vídeos inéditos de abusos;
* Objetos e instrumentos usados nas gravações, como itens cortantes e recipientes;
* Roupas idênticas às utilizadas nos vídeos periciados.
Além disso, a perícia técnica, incluindo reconhecimento facial, confirmou a identidade dos denunciados nas imagens, descartando qualquer hipótese de manipulação digital.
Situação dos investigados
Segundo o MPF, uma das pessoas denunciadas está presa, enquanto a outra teve a prisão preventiva decretada e é considerada foragida.
As investigações continuam para identificar outros possíveis envolvidos na rede criminosa, que tem características de atuação internacional.
Crimes e pedidos à Justiça
O MPF denunciou os investigados por maus-tratos a animais, com agravantes em casos envolvendo cães e gatos e aumento de pena quando há morte. Além de associação criminosa, pela atuação organizada e contínua.
Devido à gravidade dos fatos, o órgão não ofereceu acordo de não persecução penal, entendendo que a medida seria insuficiente diante da brutalidade dos crimes.
Além das penas criminais, o MPF também solicitou à Justiça a fixação de indenização por danos morais coletivos, considerando que o caso representa uma grave violação aos valores de proteção à fauna e à ética da sociedade.
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Fonte : CNN