A microgravidade pode comprometer a reprodução de mamíferos ao afetar a capacidade de orientação dos espermatozoides, segundo um novo estudo. A pesquisa analisou humanos, camundongos e porcos em condições que simulam o ambiente espacial.
Para reproduzir a ausência de gravidade na Terra, os cientistas utilizaram um clinostato 3D de duplo eixo, combinado com canais microfluídicos que imitam o trato reprodutivo feminino e condições de fertilização in vitro.
Os resultados mostram que os espermatozoides não perdem a capacidade de se movimentar, mas ficam desorientados. A velocidade e os movimentos permanecem normais, porém a navegação é prejudicada. Sem a referência da gravidade — chamada de ‘gravitaxia’ —, eles têm dificuldade de manter a direção e alcançar o óvulo.
A perda de orientação ocorre porque, na ausência de gravidade, os espermatozoides deixam de contar com um “referencial” físico que ajuda a guiar seu trajeto. Embora continuem nadando normalmente, eles dependem da chamada gravitaxia para se alinhar e seguir pelas superfícies do trato reprodutivo até o óvulo.
Sem esse “GPS gravitacional”, perdem o senso de direção e passam a se mover de forma menos eficiente, dificultando o encontro com o óvulo, mesmo mantendo velocidade e movimento intactos.
Veja as principais descobertas astronômicas de 2026
No caso dos humanos, os pesquisadores observaram que a adição de progesterona, um hormônio que atua como atrativo químico, ajudou a restaurar parcialmente essa orientação.
A microgravidade também parece funcionar como um filtro. Apenas um grupo menor de espermatozoides consegue completar o trajeto, e esses apresentam características associadas a maior qualidade e maturidade.
O estudo conclui que a reprodução em microgravidade é possível, mas enfrenta limitações importantes. Os resultados indicam que será necessário adaptar as condições de concepção para viabilizar a reprodução em futuras missões espaciais de longa duração.
source
Fonte : CNN